Ciência e Tecnologia • 12:39h • 05 de novembro de 2025
Gene da obesidade: mito ou verdade?
Especialistas explicam o papel do DNA no ganho de peso corporal e como hábitos de vida podem neutralizar a predisposição genética
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Bowler Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A obesidade é considerada uma epidemia mundial pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Estimativas indicam que, em 2022, cerca de 43% dos adultos no mundo estavam acima do peso e 16% viviam com obesidade. No Brasil, o cenário segue em crescimento contínuo, impulsionado por mudanças no estilo de vida e no ambiente alimentar.
Entre os principais focos da ciência nesse campo está o chamado “gene da obesidade”, conhecido como Fat Mass and Obesity-Associated (FTO). Descoberto por meio de estudos de associação genômica (GWAS), o gene foi ligado diretamente ao Índice de Massa Corporal (IMC) e à obesidade.
De acordo com o geneticista Gustavo Guida, dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, indivíduos com duas cópias do alelo de risco do FTO podem pesar de 3 a 4 quilos a mais e apresentar 1,67 vez mais risco de desenvolver obesidade.
“Esse achado revolucionou a prática médica: de repente, não se tratava apenas de comer menos e se exercitar mais, mas de reconhecer que a predisposição genética pode alterar de modo significativo o apetite e o controle cerebral da fome, mecanismos mediados pelo sistema nervoso central”, explica o especialista.
O médico geneticista Ricardo Di Lazaro, cofundador da Genera, também da Dasa, acrescenta que o FTO pode influenciar a formação de células gordurosas (adipogênese) e é expresso em núcleos cerebrais ligados ao controle da alimentação. Ele esclarece alguns mitos e verdades sobre o tema:
O gene FTO está associado ao risco de obesidade
Verdade. Pesquisas indicam que pessoas com determinadas variantes do gene FTO podem ter um risco até 50% maior de desenvolver obesidade e apresentar em média 3 quilos a mais de massa corporal do que indivíduos sem essa característica genética.
O impacto da genética varia entre populações
Verdade. Em algumas populações, como asiáticas e da Polinésia, a associação entre as variantes do FTO e o ganho de peso é menos significativa. Isso demonstra que fatores ambientais e hábitos culturais exercem influência decisiva sobre o desenvolvimento da obesidade.
Se tenho o gene FTO, inevitavelmente serei obeso
Mito. Ter variantes genéticas associadas ao ganho de peso não determina o destino de uma pessoa. A predisposição pode ser neutralizada por hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada e prática de atividades físicas. A genética tem influência entre 40% e 60%, e o FTO é apenas um dos diversos genes relacionados à obesidade.
A obesidade depende apenas da genética
Mito. Trata-se de uma condição multifatorial. Além da predisposição genética, alimentação inadequada, sedentarismo, fatores emocionais e sociais exercem papel determinante no ganho de peso e na manutenção da saúde metabólica.
O estilo de vida pode mudar o efeito da genética
Verdade. Adotar uma dieta balanceada, manter atividades físicas regulares e buscar acompanhamento profissional são medidas capazes de reduzir significativamente o impacto de variantes genéticas associadas à obesidade.
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