Ciência e Tecnologia • 19:24h • 07 de setembro de 2026
Gemini cita marcas 81% mais que ChatGPT em estudo brasileiro com 6,6 mil consultas
Pesquisa com 552 marcas mostra que a visibilidade de uma empresa pode mudar significativamente conforme a inteligência artificial usada pelo consumidor
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da WS Labs | Foto: Arquivo/Âncora1
Uma pesquisa brasileira realizada com 552 marcas de 22 segmentos e 6.611 consultas identificou diferenças significativas na frequência com que empresas aparecem espontaneamente nas respostas das principais inteligências artificiais. O Gemini mencionou marcas em 21,6% das respostas analisadas, contra 11,9% do ChatGPT, uma taxa de menção 81,5% maior.
O levantamento faz parte da Escala Will, estudo criado pelo professor e pesquisador Wilson Silva, da ESPM São Paulo, para medir a visibilidade de marcas em mecanismos generativos. Além de Gemini e ChatGPT, foram analisados Claude e Perplexity.
Entre as quatro plataformas, o Gemini registrou a maior taxa de menção, com 21,6%, seguido por Claude, com 17,1%, Perplexity, com 16,4%, e ChatGPT, com 11,9%. O resultado não significa que uma IA seja superior a outra, mas mostra que elas podem selecionar conjuntos diferentes de empresas ao responder a uma mesma necessidade de consumo.
Mais da metade das marcas ficou praticamente invisível
A diferença entre os modelos ganha peso porque aparecer nas respostas ainda é restrito a uma parcela das empresas analisadas. Das 552 marcas, 316, ou 57,5%, foram classificadas na faixa “Invisível” pela Escala Will. Apenas 35, equivalentes a 6,4%, alcançaram a categoria “Autoridade”.
Quando uma marca aparece, a exposição tende a se concentrar nas primeiras posições. Entre 1.108 citações com posição registrada, 36% estavam em primeiro lugar e 71% entre as três primeiras colocações. Nos diferentes segmentos, as três marcas mais citadas concentraram, em média, 56% das menções.
A pergunta feita pelo consumidor também interfere no resultado. Consultas de localização mencionaram marcas em 19,2% das respostas e perguntas de descoberta, como buscas pelas melhores opções, em 18,8%. Nas consultas sobre critérios para escolher uma empresa confiável, o percentual caiu para 12,3%.
Força no Google não garante destaque nas IAs
O estudo também comparou a presença nas inteligências artificiais com indicadores tradicionais de SEO. O W-Score apresentou correlação de 0,55 com tráfego orgânico estimado e de 0,54 com presença entre os dez primeiros resultados do Google. Já indicadores estritamente técnicos tiveram relação próxima de zero.
Alguns casos evidenciaram essa diferença. EY Brasil, Porsche Brasil, Strategy& (PwC), Volvo Cars e Citibank Brasil apresentaram alta autoridade de domínio na amostra, mas W-Score zero. No sentido contrário, o Madero obteve W-Score 79 mesmo com Domain Authority 15, enquanto a Bradesco Saúde chegou a 83 com DA 36.
“SEO e GEO conversam, mas não são a mesma coisa”, afirma Wilson Silva. Segundo o pesquisador, acompanhar apenas uma inteligência artificial pode oferecer uma visão incompleta da presença digital de uma marca, já que a plataforma, o contexto e a intenção da pergunta interferem nas empresas selecionadas para compor cada resposta.
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