Esporte • 16:03h • 12 de agosto de 2026
Futebol brasileiro muda regras para ganhar tempo de bola rolando; veja as 10 novidades
CBF e clubes das Séries A e B aprovaram mudanças que já entram em vigor nas competições nacionais; goleiros terão oito segundos com a bola e até segundo amarelo poderá ser revisado pelo VAR
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
O futebol brasileiro passa a adotar novas regras de arbitragem com efeito imediato nas principais competições nacionais. As mudanças foram aprovadas em reunião entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro masculino, realizada nesta segunda-feira (10), no Rio de Janeiro, e têm como principal objetivo reduzir paralisações e aumentar o tempo efetivo das partidas.
As medidas alcançam as Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro masculino, a Série A1 do Brasileiro Feminino e a Copa do Brasil. Das dez mudanças apresentadas, nove passam a valer imediatamente. Apenas a possibilidade de intervenção do VAR em determinados escanteios concedidos de maneira equivocada ficará para 2027.
As regras seguem determinações da International Football Association Board (Ifab), responsável pelas leis do futebol. Parte das novidades já foi utilizada na última Copa do Mundo e agora chega às competições nacionais em um momento no qual a CBF tenta aproximar o futebol brasileiro da meta internacional de pelo menos 60 minutos de bola rolando por partida.
Quanto tempo o futebol brasileiro perde hoje?
Antes da pausa para a Copa, uma partida da Série A do Campeonato Brasileiro tinha, em média, 52 minutos e 54 segundos de bola rolando. O número ainda está distante da meta de 60 minutos buscada pela Fifa.
Mesmo campeonatos europeus com índices melhores não atingem esse patamar. As ligas da França e da Alemanha registram média de 56 minutos e 17 segundos, segundo os dados apresentados.
A CBF estima que as novas medidas possam acrescentar 5 minutos e 49 segundos de jogo efetivo, com potencial para chegar a 6 minutos e 22 segundos adicionais. O cálculo integra o relatório Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro, elaborado a partir de estudo da empresa de dados Opta.
Segundo o diretor de Arbitragem da CBF, Netto Góes, as mudanças fazem parte de um esforço para transformar o diagnóstico sobre as interrupções em medidas concretas. “O objetivo é ter um jogo mais fluido, com menos interrupções e mais futebol”, afirmou.
Goleiro terá oito segundos com a bola
Uma das mudanças mais perceptíveis para o torcedor envolve os goleiros. O limite para permanecer com a bola nas mãos será de oito segundos. Caso esse período seja ultrapassado, o adversário terá direito a um escanteio.
Também haverá controle de tempo em outras reposições. No arremesso lateral, o jogador terá cinco segundos para realizar a cobrança. Se ultrapassar o limite, a posse será revertida e o lateral passará para a equipe adversária.
No tiro de meta, também haverá cinco segundos para a cobrança, contados pelo árbitro a partir do apito. Se houver atraso, será marcado escanteio para o adversário.
Substituições e atendimentos médicos também mudam
O jogador substituído terá dez segundos para deixar o campo. Caso demore além desse período, o atleta que entraria em seu lugar precisará aguardar um minuto antes de participar da partida.
Outra mudança atinge jogadores que recebem atendimento dentro do gramado. Depois do atendimento, o atleta deverá sair e permanecer pelo menos um minuto fora de campo antes de retornar.
Quando o atendimento envolver o goleiro, o treinador ou o capitão deverá indicar um jogador de linha da própria equipe para permanecer um minuto fora depois do reinício da partida.
Só o capitão poderá discutir decisões com o árbitro
A interlocução com a arbitragem também terá regras mais rígidas. Somente o capitão poderá falar com o árbitro sobre decisões tomadas durante a partida.
Quando o capitão for o goleiro, a equipe deverá designar um jogador de linha para exercer essa função de interlocutor. Atletas que desrespeitarem o procedimento poderão receber cartão amarelo.
Outra novidade é o chamado “Protocolo Vini Jr.”. O jogador que intencionalmente cobrir a boca durante uma discussão com um adversário para impedir a leitura labial poderá ser expulso, independentemente do conteúdo da conversa.
VAR poderá rever segundo cartão amarelo
As novas regras também ampliam situações de atuação do árbitro de vídeo. O segundo cartão amarelo que resultar em expulsão poderá ser revisado pelo VAR e anulado caso a checagem identifique erro na decisão.
A décima alteração será a única que não começa imediatamente. A partir de 2027, o VAR poderá verificar um escanteio concedido incorretamente quando a cobrança resultar diretamente em gol ou pênalti.
Com as mudanças, a CBF pretende atacar diferentes fontes de paralisação, desde a demora nas reposições e substituições até atendimentos e discussões com a arbitragem. O efeito das medidas sobre o tempo efetivo das partidas poderá ser acompanhado já nas próximas rodadas das competições nacionais.
As 10 novas regras
- Goleiro com a bola: máximo de oito segundos; atraso resulta em escanteio para o adversário;
- Arremesso lateral: cinco segundos; atraso transfere a cobrança ao outro time;
- Tiro de meta: cinco segundos após o apito; atraso resulta em escanteio;
- Substituição: jogador terá dez segundos para sair; se exceder, o substituto espera um minuto;
- Atendimento no gramado: jogador atendido permanece ao menos um minuto fora;
- Atendimento ao goleiro: um jogador de linha indicado pela equipe cumprirá um minuto fora;
- Diálogo com o árbitro: somente o capitão, ou jogador designado quando ele for goleiro, poderá atuar como interlocutor;
- Protocolo Vini Jr.: cobrir intencionalmente a boca durante discussão com adversário para impedir leitura labial poderá resultar em expulsão;
- Segundo amarelo: cartão que provocar expulsão poderá ser revisado pelo VAR;
- Escanteio concedido por engano: VAR poderá revisar quando o lance levar diretamente a gol ou pênalti, regra válida a partir de 2027.
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