Mundo • 10:37h • 23 de agosto de 2026
Fiscalização a desmontes cresce 169% em SP; veja como comprar peças usadas sem cair em irregularidades
Detran-SP realizou 1.230 fiscalizações entre janeiro e julho e orienta consumidores a verificar tanto a empresa quanto a procedência da peça antes da compra
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Detran SP | Foto: Divulgação
Comprar uma peça usada pode ser uma alternativa para reduzir o custo de manutenção do carro, mas o preço não deve ser o único ponto considerado. Em São Paulo, o Detran-SP intensificou a fiscalização sobre empresas de desmontagem de veículos e alerta que o consumidor deve verificar a procedência do produto antes de fechar negócio.
Entre janeiro e julho de 2026, o órgão realizou 1.230 fiscalizações em desmontes no estado, contra 457 no mesmo período de 2025. São 773 ações a mais em um ano, crescimento de 169%.
Os estabelecimentos regularizados são uma fonte legal de peças usadas para reposição e reparo de veículos. O problema está na compra em locais sem autorização ou de componentes cuja origem não possa ser comprovada. Além do risco de adquirir uma peça proveniente de crime, o motorista pode instalar no veículo um item sem garantia de procedência e que não poderia sequer ser reutilizado.
Antes de comprar, confira se o desmonte é autorizado
O primeiro cuidado pode ser tomado antes mesmo de o consumidor sair de casa. O Detran-SP mantém uma consulta pública com os estabelecimentos credenciados para atuar no setor.
No portal do órgão, a página “Consulta de Agentes Regulados” permite verificar os desmontes autorizados. A ferramenta também reúne outros prestadores regulados pelo departamento, como despachantes, autoescolas, médicos e psicólogos.
A recomendação é especialmente importante para quem encontra peças anunciadas pela internet. Antes de considerar apenas preço, estado de conservação ou disponibilidade, é possível conferir se a empresa responsável pela venda está regularizada.
Etiqueta permite descobrir a origem da peça
A segunda verificação deve ser feita no próprio componente. As autopeças usadas comercializadas regularmente possuem identificação que permite rastrear sua origem.
O consumidor pode informar no site do Detran-SP o número presente na etiqueta e consultar os dados da peça. No aplicativo do órgão, também é possível fazer a pesquisa pelo QR Code.
Esse rastreamento ajuda a diferenciar uma peça retirada e comercializada dentro das regras de outra sem procedência comprovada, reduzindo o risco de o comprador financiar, mesmo sem saber, um mercado abastecido por veículos ou componentes de origem criminosa.
Nem toda peça usada pode voltar para outro carro
Mesmo quando um veículo é desmontado legalmente, alguns componentes não podem retornar ao mercado para reúso. A restrição alcança principalmente itens diretamente relacionados à segurança dos ocupantes e ao controle do automóvel.
Estão nessa lista airbags e seus subcomponentes; sistema de freios, incluindo discos, pinças, hidrovácuo e ABS; cintos de segurança e pré-tensionadores; caixa e sistema de direção; componentes da suspensão, como amortecedores, bandejas e molas; controle de estabilidade; além de vidros de segurança que contenham a gravação original do chassi.
Esses materiais devem ser destruídos ou encaminhados para reciclagem e recondicionamento industrial, conforme o caso. Por isso, encontrar um desses componentes sendo oferecido como peça usada para instalação em outro veículo é um sinal para o consumidor interromper a compra.
Com a fiscalização quase três vezes maior neste ano, a orientação do Detran-SP coloca o próprio motorista como uma etapa importante desse controle: antes de levar uma peça usada para casa, duas consultas podem ajudar a evitar problemas, uma sobre quem está vendendo e outra sobre a origem do que está sendo comprado.
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