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Saúde • 09:43h • 29 de maio de 2026

Fiocruz apresenta pesquisa abrangente sobre a saúde dos idosos no país

Fatores urbanos e sociais têm papel decisivo na qualidade de vida

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

Entre os resultados há indicadores que revelam que fatores urbanos, sociais e estruturais têm papel decisivo na qualidade de vida da população idosa, mostrando que envelhecer no Brasil envolve desafios muito além da ausência de doenças.
Entre os resultados há indicadores que revelam que fatores urbanos, sociais e estruturais têm papel decisivo na qualidade de vida da população idosa, mostrando que envelhecer no Brasil envolve desafios muito além da ausência de doenças.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgou na terça-feira (26) os resultados da terceira etapa do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil), considerada uma das maiores pesquisas sobre envelhecimento já realizadas no país.

O levantamento vai disponibilizar cerca de 100 indicadores em uma plataforma online, reunindo dados sobre saúde, funcionalidade, condições de vida, ambiente social e acesso a políticas públicas da população com 60 anos ou mais.

Os resultados mostram que envelhecer no Brasil envolve desafios que vão além da saúde física. Questões urbanas, sociais e estruturais têm impacto direto na qualidade de vida dos idosos.

Um dos dados que mais chamam atenção é a percepção de insegurança nas cidades. Entre os idosos que vivem em áreas urbanas, 42,7% afirmam sentir medo de cair por causa de calçadas danificadas, ruas esburacadas ou problemas de acessibilidade próximos de casa.

Entre as mulheres idosas, o índice chega a 50,5%, enquanto entre os homens fica em 31,9%. O receio também aumenta conforme a idade: atinge 35,2% das pessoas entre 60 e 69 anos, sobe para 47,1% entre 70 e 79 anos e chega a 63,1% entre idosos com 80 anos ou mais.

Segundo a coordenadora do estudo, a pesquisadora Maria Fernanda Lima-Costa, os dados reforçam a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à adaptação das cidades para o envelhecimento da população, com investimentos em acessibilidade, mobilidade urbana e segurança.

A violência urbana também aparece como fator importante. Cerca de 12,1% dos idosos brasileiros consideram a região onde vivem muito insegura por causa da criminalidade. Isso representa aproximadamente 3,8 milhões de pessoas vivendo em situação constante de medo e vulnerabilidade.

A percepção de insegurança aparece de forma semelhante entre homens e mulheres e em diferentes faixas etárias, indicando que a violência afeta amplamente a qualidade de vida e a saúde mental da população idosa.

Hipertensão e perda de autonomia preocupam pesquisadores

A hipertensão arterial continua sendo uma das condições mais frequentes entre os idosos brasileiros. A pesquisa identificou que 34,4% dessa população apresenta pressão arterial em níveis considerados hipertensos, o equivalente a cerca de 11 milhões de pessoas.

A prevalência aumenta com a idade, passando de 31,9% entre pessoas de 60 a 69 anos para 40,1% entre aqueles com mais de 80 anos.

Como a hipertensão muitas vezes não apresenta sintomas, os pesquisadores alertam para a importância do diagnóstico precoce e do fortalecimento da atenção básica de saúde para evitar complicações graves, como infarto, AVC, insuficiência renal e demência vascular.

Outro ponto de destaque é a perda da capacidade funcional. Segundo o estudo, 20,4% dos idosos brasileiros têm dificuldade para realizar ao menos uma atividade básica do dia a dia, como tomar banho, vestir-se, comer ou levantar da cama.

Isso representa cerca de 6,5 milhões de pessoas vivendo com algum grau de limitação funcional.

Entre as mulheres, a taxa é maior: 23,1% apresentam dificuldades, contra 17% entre os homens. O problema se intensifica com o avanço da idade, atingindo 44,2% dos idosos com 80 anos ou mais.

Os pesquisadores também identificaram fragilidade na rede de apoio aos idosos dependentes. Entre aqueles que apresentam dificuldades nas atividades diárias, apenas 37,9% recebem ajuda.

Além disso, somente 5,8% dos cuidadores afirmaram ter recebido algum tipo de treinamento, evidenciando a falta de políticas estruturadas de suporte e capacitação para cuidadores familiares e informais.

O levantamento reforça ainda a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) no atendimento da população idosa. Cerca de dois terços das pessoas com mais de 60 anos dependem exclusivamente do SUS para cuidados de saúde.

A Estratégia Saúde da Família também aparece como peça central da assistência: 69,2% dos idosos brasileiros estão vinculados ao programa, o equivalente a cerca de 22,2 milhões de pessoas.

Segundo os pesquisadores, os dados confirmam o papel fundamental do SUS e da atenção básica na promoção do envelhecimento saudável em um país marcado por desigualdades sociais e econômicas.

A nova plataforma do Elsi-Brasil permitirá acesso público aos indicadores e pretende auxiliar gestores, profissionais da saúde, pesquisadores e a sociedade no acompanhamento das condições de vida da população idosa.

O estudo segue as diretrizes da Década do Envelhecimento Saudável, iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), que propõe uma visão mais ampla sobre envelhecimento, incluindo autonomia, segurança, funcionalidade e qualidade de vida como aspectos essenciais do bem-estar.

A primeira edição da pesquisa foi realizada entre 2015 e 2016, a segunda entre 2019 e 2021 e a terceira entre 2023 e 2024. Hoje, o Elsi-Brasil integra um grupo das principais pesquisas internacionais sobre envelhecimento e coloca o Brasil entre as referências mundiais na produção de dados sobre o tema.

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