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Economia • 15:39h • 26 de fevereiro de 2026

Fim da escala 6x1 e redução da jornada são positivos para a economia, diz Ipea

Estudo derruba argumentos de empresários sobre perda de lucros das empresas com o fim desse modelo. Mais de 70% dos brasileiros apoiam a mudança sem redução salarial

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da CUT | Foto: Arquivo Âncora1

Nos grandes setores com forte geração de empregos, como indústria e comércio, o impacto estimado é inferior a 1% do custo operacional, indicando capacidade de absorção das mudanças.
Nos grandes setores com forte geração de empregos, como indústria e comércio, o impacto estimado é inferior a 1% do custo operacional, indicando capacidade de absorção das mudanças.

Ao contrário do que afirmam empresários — de que o fim da escala 6x1 poderia provocar queda nos lucros e aumento expressivo de custos com a contratação de mais funcionários — um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada aponta que o impacto seria pequeno em grandes setores da economia.

Nota técnica divulgada pelo órgão na semana passada indica que, na indústria e no comércio, o custo operacional adicional ficaria abaixo de 1%. O debate sobre o fim do modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos para folgar um, além da redução da jornada sem corte salarial, tem ganhado espaço na discussão pública.

A proposta é defendida pela Central Única dos Trabalhadores e outras centrais sindicais, que argumentam que a mudança pode melhorar a qualidade de vida, aumentar a produtividade e gerar empregos.

De acordo com o Ipea, a redução da jornada para 40 horas semanais elevaria, em média, o custo do trabalho com carteira assinada em 7,84%. No entanto, ao considerar o peso da mão de obra no custo total de cada setor, o impacto se dilui. Em setores com forte geração de empregos, como indústria e comércio, o efeito estimado é inferior a 1% do custo operacional, indicando que as empresas teriam capacidade de absorver a mudança.

Já em segmentos mais dependentes de mão de obra, como vigilância, segurança e limpeza, o impacto tende a ser maior. No setor de vigilância, segurança e investigação, por exemplo, o aumento pode chegar a 6,6% do custo operacional.

O instituto ressalta que aumento no custo do trabalho não significa, necessariamente, redução da produção ou crescimento do desemprego. Estudos nacionais e internacionais indicam que a reorganização das escalas pode elevar a produtividade, reduzir o absenteísmo — ausências, atrasos e saídas antecipadas —, melhorar o bem-estar e estimular o consumo.

Levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados mostra que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6x1, desde que não haja redução salarial. A pesquisa foi realizada entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro, nas 27 unidades da Federação, com 2.021 pessoas de 16 anos ou mais.

Para o Ipea, a redução da jornada também pode criar novos postos de trabalho, ao exigir recomposição de equipes em alguns setores. Especialistas ponderam, porém, que áreas mais intensivas em mão de obra podem precisar de políticas de transição para uma adaptação gradual.

Na segunda-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o tema na rede social X. Ele afirmou que o mundo do trabalho passa por transformações e citou o filósofo Byung-Chul Han, que define o momento atual como uma “sociedade do cansaço”, marcada pela pressão por desempenho e pelo desequilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Segundo o presidente, o Brasil debate o fim da jornada 6x1 para garantir dois dias de descanso semanal, destacando que os avanços tecnológicos elevaram a produtividade e que esse progresso deve estar associado ao bem-estar da população. “É hora de pensar no bem-estar das pessoas”, escreveu.

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