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Ciência e Tecnologia • 13:11h • 20 de novembro de 2025

Ferramenta inovadora prevê risco de Alzheimer anos antes dos primeiros sintomas

Modelo desenvolvido combina fatores genéticos, biológicos e de imagem cerebral para estimar a probabilidade de declínio cognitivo ao longo da vida

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Mayo Clinic | Foto: Divulgação

Modelo combina genética e exames PET para estimar risco de declínio cognitivo
Modelo combina genética e exames PET para estimar risco de declínio cognitivo

Pesquisadores da Mayo Clinic desenvolveram uma ferramenta capaz de estimar, com anos de antecedência, o risco de uma pessoa desenvolver comprometimento cognitivo leve ou demência associada à doença de Alzheimer. A novidade, apresentada na revista The Lancet Neurology, utiliza dados de longo prazo do Estudo sobre o Envelhecimento da Mayo Clinic, um dos mais completos do mundo sobre saúde cerebral.

O estudo indica que mulheres apresentam risco vitalício maior de demência e comprometimento cognitivo leve, condição intermediária entre o envelhecimento saudável e a demência. Pessoas com a variante genética APOE4 também têm probabilidade mais elevada ao longo da vida.

A ferramenta reúne informações como idade, sexo, perfil genético e níveis de amiloide detectados por exames PET para calcular a chance de desenvolvimento de alterações cognitivas dentro de 10 anos ou ao longo da vida prevista. Entre todos os fatores analisados, os níveis de amiloide cerebral se mostraram o preditor mais importante de risco para comprometimento cognitivo leve e demência.

Para os especialistas, a possibilidade de identificar risco antes do surgimento dos sintomas é um avanço significativo. Isso pode auxiliar médicos e pacientes a avaliarem quando iniciar tratamentos mais precoces ou adotar mudanças de estilo de vida que retardem a evolução da doença, de forma semelhante ao uso do colesterol como indicador de risco cardíaco.

A pesquisa se apoia em mais de cinco mil participantes acompanhados ao longo dos anos no condado de Olmsted, Minnesota. O acesso contínuo a prontuários médicos possibilitou um monitoramento quase completo da evolução de cada indivíduo, mesmo após o encerramento da participação ativa no estudo.

O trabalho também reforça a relevância do comprometimento cognitivo leve como estágio-alvo de terapias aprovadas recentemente, que atuam na remoção da proteína amiloide e retardam a progressão do Alzheimer.

Embora o modelo ainda esteja restrito ao âmbito da pesquisa, versões futuras poderão incorporar biomarcadores sanguíneos, tornando as avaliações mais acessíveis. A iniciativa integra o programa Precure da Mayo Clinic, que busca desenvolver ferramentas capazes de prever e interceptar processos biológicos antes que evoluam para doenças complexas.

Segundo os pesquisadores, o objetivo final é ampliar o tempo de ação e planejamento para pessoas com maior probabilidade de desenvolver alterações cognitivas, promovendo intervenções mais precoces e personalizadas.

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