Ciência e Tecnologia • 16:32h • 04 de outubro de 2026
Feixe centenas de vezes mais fino que um fio de cabelo ajuda a desvendar células solares
Tecnologia desenvolvida em Campinas acompanha alterações microscópicas provocadas por calor, luz e umidade e pode contribuir para painéis solares mais eficientes e duráveis
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência Fapesp | Foto: Divulgação
Cientistas brasileiros desenvolveram uma tecnologia capaz de acompanhar o interior de uma célula solar enquanto ela produz eletricidade. Instalado no acelerador Sirius, em Campinas, o sistema utiliza raios X para observar mudanças microscópicas provocadas por calor, iluminação e umidade, condições que podem ajudar a explicar por que determinados materiais perdem desempenho com o tempo.
O trabalho foi realizado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), com apoio da FAPESP, e tem como um dos principais alvos as células solares de perovskita. Esses materiais alcançaram elevada eficiência e podem ser fabricados por processos relativamente simples, mas sua estabilidade ainda representa um desafio.
Durante o funcionamento, temperatura, luz, umidade e a própria tensão elétrica podem modificar a estrutura e a composição da célula. A nova plataforma permite relacionar essas transformações microscópicas ao desempenho do dispositivo, acompanhando composição química, estrutura atômica, morfologia e características eletrônicas.
Feixe é centenas de vezes mais fino que um fio de cabelo
O feixe de raios X utilizado tem cerca de 200 nanômetros, centenas de vezes mais fino que um fio de cabelo humano. Nessa escala, uma pequena dilatação causada pelo calor poderia deslocar a amostra e fazer os pesquisadores perderem exatamente o ponto observado.
Para evitar o problema, a equipe criou um sistema que aquece a célula e a mantém praticamente imóvel. Em testes realizados durante cerca de 20 horas, a amostra passou repetidamente de 30ºC para 150ºC. Mesmo com a variação de 120ºC, o deslocamento ficou em aproximadamente 5 micrômetros na vertical e 1 micrômetro na horizontal.
O controle térmico também mostrou precisão. A temperatura programada pode ser atingida em menos de dois minutos e, nos testes a 150ºC, as oscilações ficaram geralmente abaixo de 0,1ºC durante períodos de 50 minutos.
Calor, luz e umidade podem ser controlados
Uma pequena câmara permite ainda modificar as condições atmosféricas e acompanhar a umidade, enquanto um sistema de iluminação mantém a célula funcionando durante as medições. Assim, os cientistas conseguem investigar diferentes fatores associados à degradação.
Os experimentos acontecem na estação Tarumã, da linha de luz Carnaúba do Sirius. Em uma das demonstrações, os pesquisadores visualizaram individualmente grãos de perovskita com cerca de 2 micrômetros e acompanharam mudanças na estrutura do material quando a temperatura passou de 40ºC para 6 ºC.
A tecnologia já deixou a fase de protótipo e está disponível como equipamento multiusuário. Além das perovskitas, poderá ser empregada no estudo de células solares orgânicas, dispositivos de pontos quânticos, LEDs e outros materiais compatíveis.
Ao acompanhar o mesmo ponto microscópico durante sucessivos ciclos de calor, iluminação, umidade e tensão elétrica, os pesquisadores poderão investigar quando surgem alterações relacionadas à perda de desempenho, conhecimento que pode contribuir para células solares mais eficientes e duráveis.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Assis tem 116 vagas em cursos gratuitos de logística, empilhadeira e informática; inscrições até domingo
Oportunidades fazem parte do Qualifica SP, que reúne 286 vagas presenciais na região; candidatos têm até 4 de outubro para se inscrever