• Reforma tributária muda formação de preços e pressiona cardápios de bares e restaurantes
  • Anvisa determina apreensão de azeite de oliva extravirgem
  • Serviços na rede elétrica podem afetar Cruzália, Maracaí e Pedrinhas Paulista
Novidades e destaques Novidades e destaques

Saúde • 08:00h • 12 de agosto de 2024

Febre do Oropouche: entenda o que é a doença que preocupa o Brasil

Casos isolados e surtos foram relatados na região amazônica

Agência Brasil | Foto: Bruna Lais Sena do Nascimento

Foto: Bruna Lais Sena do Nascimento | Laboratório de Entomologia Médica | SEARB | IEC
Foto: Bruna Lais Sena do Nascimento | Laboratório de Entomologia Médica | SEARB | IEC

O Ministério da Saúde define a febre do Oropouche como doença causada por um arbovírus do gênero Orthobunyavirus, identificado pela primeira vez no Brasil,  em 1960, a partir da amostra de sangue de um bicho-preguiça capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília.

Desde então, casos isolados e surtos foram relatados no país, sobretudo na região amazônica, considerada endêmica. Em 2024, entretanto, a doença passou a preocupar autoridades sanitárias brasileiras. Até o início de julho, mais de 7 mil casos haviam sido confirmados no país, com transmissão autóctone em pelo menos 16 unidades federativas. Esta semana, São Paulo confirmou os primeiros casos no interior do estado.

A transmissão acontece principalmente por meio do vetor Culicoides paraensis, conhecido popularmente como maruim ou mosquito-pólvora. No ciclo silvestre, bichos-preguiça e primatas não-humanos (e possivelmente aves silvestres e roedores) atuam como hospedeiros. Há registros de isolamento do vírus em outras espécies de insetos, como Coquillettidia venezuelensis e Aedes serratus.

Já no ciclo urbano, os humanos são os principais hospedeiros. Nesse cenário, o mosquito Culex quinquefasciatus, popularmente conhecido como pernilongo e comumente encontrado em ambientes urbanos, também pode transmitir o vírus.

Sintomas

Os sintomas da febre do Oropouche, de acordo com o ministério, são parecidos com os da dengue e incluem dor de cabeça intensa, dor muscular, náusea e diarreia. “Nesse sentido, é importante que profissionais da área de vigilância em saúde sejam capazes de diferenciar essas doenças por meio de aspectos clínicos, epidemiológicos e laboratoriais e orientar as ações de prevenção e controle”, alerta a pasta.

O quadro clínico agudo, segundo a pasta, evolui com febre de início súbito, cefaleia (dor de cabeça), mialgia (dor muscular) e artralgia (dor articular). Outros sintomas como tontura, dor retro-ocular, calafrios, fotofobia, náuseas e vômitos também são relatados. Casos com acometimento do sistema nervoso central (como meningite asséptica e meningoencefalite), especialmente em pacientes imunocomprometidos, e com manifestações hemorrágicas (petéquias, epistaxe, gengivorragia) podem ocorrer.

Ainda de acordo com o ministério, parte dos pacientes (estudos relatam até 60%) pode apresentar recidiva, com manifestação dos mesmos sintomas ou apenas febre, cefaleia e mialgia após uma ou duas semanas a partir das manifestações iniciais. “Os sintomas duram de dois a sete dias, com evolução benigna e sem sequelas, mesmo nos casos mais graves”.


Mosquito Maruim. | Foto: Conselho Federal de Farmácia/Divulgação

Mortes inéditas

No último dia 25, entretanto, a Bahia confirmou duas mortes por febre do Oropouche no estado. Até então, não havia nenhum registro de óbito associado à infecção em todo o mundo.

De acordo com a Secretaria de Saúde da Bahia, as mortes foram registradas em pacientes sem comorbidades e não gestantes. A primeira morte, uma mulher de 24 anos que residia no município de Valença, ocorreu no dia 27 de março. O segundo óbito, uma mulher de 21 anos que residia em Camamu, foi registrado no dia 10 de maio.

Técnicos de vigilância em saúde baianos informaram que as pacientes apresentaram início abrupto de febre, dor de cabeça, dor retro orbital e mialgia, que rapidamente evoluíram para sintomas graves, incluindo dor abdominal intensa, sangramento e hipotensão.

Diagnóstico

O diagnóstico da febre do Oropouche é clínico, epidemiológico e laboratorial e todos os casos positivos devem ser notificados. Além de ser de notificação compulsória, a doença também é classificada pelo ministério como de notificação imediata, “em função do potencial epidêmico e da alta capacidade de mutação, podendo se tornar uma ameaça à saúde pública”.

Tratamento

Não há tratamento específico para a febre do Oropouche. A orientação das autoridades sanitárias brasileiras é que os pacientes permaneçam em repouso, com tratamento sintomático e acompanhamento médico. Em caso de sintomas suspeitos, o ministério pede que o paciente procure ajuda médica imediatamente e informe sobre uma exposição potencial à doença.

Prevenção

Dentre as recomendações citadas pela pasta para prevenir a febre do Oropouche estão:

  • Evitar o contato com áreas de ocorrência e/ou minimizar a exposição às picadas dos vetores.
  • Usar roupas que cubram a maior parte do corpo e aplicar repelente nas áreas expostas da pele.
  • Limpar terrenos e locais de criação de animais.
  • Recolher folhas e frutos que caem no solo.
  • Usar telas de malha fina em portas e janelas.

Transmissão vertical e microcefalia

Apenas em julho, o ministério publicou duas notas técnicas voltadas para gestores estaduais e municipais envolvendo a febre do Oropouche. Uma delas recomenda intensificar a vigilância de casos e alerta para a possibilidade de transmissão vertical da doença, que acontece quando o vírus é transmitido da mãe para o bebê, durante a gestação ou no parto.

Em junho, a Seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas do Instituto Evandro Chagas analisou amostras de soro e líquor armazenadas na instituição, coletadas para investigação de arboviroses e negativas para dengue, chikungunya, zika e vírus do Nilo Ocidental. Nesse estudo, foi detectado em quatro recém-nascidos com microcefalia a presença de anticorpos contra o vírus da febre do Oropouche. “Essa é uma evidência de que ocorre transmissão vertical do vírus, porém, limitações do estudo não permitem estabelecer relação causal entre a infecção pelo vírus durante a vida uterina e malformações neurológicas nos bebês”, destacou o ministério do documento.

No mês passado, a investigação laboratorial de um caso de óbito fetal com 30 semanas de gestação identificou material genético do vírus da febre do Oropouche em sangue de cordão umbilical, placenta e diversos órgãos fetais, incluindo tecido cerebral, fígado, rins, pulmões, coração e baço. “Essa é uma evidência da ocorrência de transmissão vertical do vírus. Análises laboratoriais e de dados epidemiológicos estão sendo realizadas para a conclusão e classificação final desse caso”, informou a pasta no mesmo documento.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Economia • 15:25h • 19 de março de 2026

Imposto de Renda 2026 terá prazo mais curto para entrega

Declaração começa em 23 de março e vai até 29 de maio; atraso gera multa

Descrição da imagem

Cidades • 15:08h • 19 de março de 2026

Velório da Prudenciana avança em melhorias e ainda terá novas intervenções

Espaço recebe revitalização, novos equipamentos e deve contar com ar-condicionado nos próximos dias

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 14:46h • 19 de março de 2026

Marco Legal dos Games abre caminho para crescimento da indústria no Brasil

Nova lei cria regras mais claras, amplia incentivos e fortalece produção nacional de jogos eletrônicos

Descrição da imagem

Classificados • 14:12h • 19 de março de 2026

Fim do contrato não encerra obrigações trabalhistas, entenda o que muda

Mesmo após o fim do contrato, trabalhador pode revisar verbas, estabilidade e irregularidades dentro de prazo legal

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 13:49h • 19 de março de 2026

ECA Digital entra em vigor e reforça proteção de crianças na internet

Nova lei amplia regras para redes sociais, jogos e plataformas digitais, com foco na segurança de menores e responsabilização de empresas e famílias

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 13:13h • 19 de março de 2026

Tarumã realiza 2º Torneio de Pesca no dia 28 de março com inscrições abertas

Evento acontece no Parque Vicente Benelli e reúne esporte, lazer e premiação para os participantes

Descrição da imagem

Cidades • 12:31h • 19 de março de 2026

Florínea tem feriado prolongado e altera funcionamento das repartições

Repartições fecham nesta quinta (19) e sexta (20); serviços essenciais seguem funcionando normalmente

Descrição da imagem

Gastronomia & Turismo • 12:04h • 19 de março de 2026

Reforma tributária muda formação de preços e pressiona cardápios de bares e restaurantes

Novo modelo de impostos altera custos, margens e contratos, exigindo revisão imediata da operação no foodservice

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar