Variedades • 11:38h • 05 de dezembro de 2025
Farinha de castanha-do-brasil tem 60% mais proteína que a de trigo, mostra pesquisa da Embrapa
Estudos da Embrapa revelam que farinha e concentrado proteico feitos a partir da castanha-do-brasil têm alto teor de proteínas e bom desempenho em alimentos vegetais como hambúrguer, quibe e proteína texturizada. A tecnologia já pode ser testada em escala comercial
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Embrapa | Foto: Ronaldo Rosa
Pesquisas da Embrapa mostram que a farinha parcialmente desengordurada e o concentrado proteico produzidos a partir da castanha-do-brasil apresentam alto teor de proteínas e grande potencial para a indústria de alimentos vegetais. A farinha possui cerca de 60% mais proteína que a de trigo, e ambos os ingredientes tiveram boa avaliação em testes de sabor, textura e aparência aplicados em hambúrgueres, quibes e proteína texturizada. A tecnologia está pronta para testes comerciais.
Segundo a pesquisadora Ana Vânia Carvalho, a busca por novas fontes proteicas estimula a exploração sustentável da biodiversidade brasileira e fortalece cadeias produtivas locais. O trabalho integra o Programa Biomas do The Good Food Institute (GFI) Brasil, com financiamento do Fundo JBS pela Amazônia.
A produção da farinha e do concentrado ocorre no Laboratório de Agroindústria da Embrapa Amazônia Oriental. A castanha, rica em proteínas, gorduras e selênio, foi estudada em profundidade antes do desenvolvimento dos ingredientes. Após a remoção parcial do óleo — usado majoritariamente pela indústria cosmética — obtém-se a torta que serve de base para a farinha e o concentrado. O processo também aproveita castanhas quebradas ou fora do padrão comercial, reduzindo desperdícios.
O teor original de proteína da castanha, cerca de 15%, sobe para 32,4% na farinha e chega a 56% no concentrado proteico. A farinha tem quase 33 gramas de proteína por 100 gramas, contra cerca de 13 gramas na farinha de trigo integral.
Os ingredientes foram aplicados em receitas de hambúrguer vegetal, quibe e proteína texturizada, desenvolvidas em parceria com a Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ). A farinha foi usada no quibe, que registra alto conteúdo de fibras, enquanto o concentrado foi usado no hambúrguer, considerado fonte de fibras. A proteína texturizada criada combina proteína de castanha-do-brasil e soja, com desempenho semelhante ao da tradicional proteína texturizada de soja (PTS).
A pesquisadora Melicia Galdeano destaca que o texturizado amplia a oferta de proteínas vegetais de origem nacional, contribuindo para a diversificação do mercado plant-based e valorizando cadeias produtivas amazônicas.
Testes sensoriais com consumidores indicaram boa aceitação dos produtos quanto a sabor, textura e aparência. Os resultados mostram que os coprodutos da castanha-do-brasil têm potencial para serem usados como ingredientes em alimentos voltados ao público vegetariano, vegano e flexitariano.
Publicações técnicas com detalhes das pesquisas estão disponíveis gratuitamente, e a tecnologia desenvolvida já pode avançar para etapas de testes em escala comercial.
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