Saúde • 10:24h • 17 de abril de 2026
Falta de acesso a alimentação saudável atinge maioria das famílias em favelas
Pesquisa revela convivência entre fome e excesso de peso infantil
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Um estudo do Instituto Desiderata aponta que 60,7% das famílias que vivem em favelas brasileiras enfrentam algum nível de insegurança alimentar. Ao mesmo tempo, a pesquisa evidencia uma contradição crescente: a coexistência entre a falta de alimentos e o excesso de peso em crianças, fenômeno conhecido como dupla carga da má nutrição.
O levantamento, intitulado “Ambientes alimentares em favelas: percepção sobre o acesso aos alimentos de moradores de favelas brasileiras”, ouviu 900 domicílios em três territórios: Complexo da Maré e Caramujo, no Rio de Janeiro, e Coque, em Pernambuco. Entre crianças de 5 a 10 anos, 34,7% apresentam excesso de peso, sendo mais de 21% com sobrepeso e 12,95% com obesidade.
Os dados mostram que a alimentação nesses locais é fortemente impactada por fatores estruturais. O preço dos alimentos é a principal barreira: cerca de 43% dos entrevistados afirmam que produtos in natura, apesar de disponíveis, não são acessíveis financeiramente. Em contrapartida, alimentos ultraprocessados são mais comuns e consumidos com maior frequência.
O acesso físico também é um desafio. Segundo a pesquisa, 33% dos moradores levam mais de 30 minutos para chegar ao principal ponto de compra de alimentos, e 58% fazem esse trajeto a pé. A dependência de comércios locais e supermercados contribui para a formação de áreas classificadas como “pântanos alimentares”, com grande oferta de produtos não saudáveis, e “desertos alimentares”, onde faltam opções nutritivas.
De acordo com a gerente da área de obesidade do instituto, Andrea Rangel, o território influencia diretamente as escolhas alimentares. Para ela, garantir acesso real a alimentos saudáveis é essencial para promover equidade. A especialista destaca que políticas públicas precisam priorizar a oferta de alimentos frescos e nutritivos nas comunidades.
A pesquisa também identificou desigualdades no acesso à alimentação escolar. No bairro do Coque, em Pernambuco, embora 91,67% das crianças estejam matriculadas em creches ou escolas públicas, apenas 16,33% almoçam nessas instituições. O dado acendeu um alerta sobre a qualidade das refeições e possíveis fatores que influenciam a baixa adesão.
No Caramujo, no Rio de Janeiro, cerca de 60% dos moradores também enfrentam dificuldades para acessar pontos de venda de alimentos, o que reforça a necessidade de ampliar a disponibilidade e melhorar a qualidade alimentar nessas regiões.
O perfil das famílias entrevistadas evidencia um cenário de vulnerabilidade social: 89% dos responsáveis pela alimentação são mulheres, em sua maioria negras, e os domicílios têm, em média, quatro moradores.
Apesar dos desafios, a escola surge como um importante espaço de proteção alimentar. Entre as crianças analisadas, 89,81% estão matriculadas e 53% realizam refeições no ambiente escolar. A aceitação da merenda também é significativa, com 64,47% relatando boa adesão. Ainda assim, fatores como operações policiais e interrupções no funcionamento das escolas impactam diretamente esse acesso, comprometendo uma rede essencial de apoio alimentar.
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