Política • 14:18h • 05 de setembro de 2026
Fake news com inteligência artificial crescem 308% e acendem alerta para as Eleições 2026
Levantamento aponta avanço de conteúdos manipulados por IA no Brasil, enquanto deepfakes, recortes fora de contexto e disseminação automatizada tornam a desinformação mais difícil de identificar
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Mem Comunicação | Foto: Divulgação
O uso de inteligência artificial na produção e disseminação de conteúdos falsos cresceu 308% entre 2024 e 2025 no Brasil, segundo a primeira edição do Panorama da Desinformação no Brasil, produzido pelo Observatório Lupa. O avanço ganha peso às vésperas das Eleições 2026 porque a tecnologia permite criar imagens, áudios e vídeos cada vez mais convincentes e ampliar rapidamente sua circulação nas redes.
O levantamento mostra que 81,2% das fake news identificadas com uso de IA surgiram nos últimos dois anos. Também houve aumento do conteúdo com viés ideológico: em 2025, ele estava presente em 45% das publicações analisadas, ante 33% em 2024.
A mudança não está apenas na quantidade. Ferramentas de inteligência artificial permitem produzir desde imagens inteiramente fabricadas até deepfakes capazes de reproduzir aparência, voz e expressões de pessoas. Para Roosevelt Arraes, especialista em Direito Eleitoral, o resultado são materiais mais difíceis de distinguir de registros verdadeiros. “O eleitor não está mais lidando com boatos grosseiros, mas com materiais que imitam perfeitamente a realidade.”
Desinformação também pode usar conteúdo verdadeiro
Outro desafio para 2026 está em estratégias que não dependem necessariamente de uma informação totalmente falsa. Vídeos verdadeiros podem ser recortados, falas retiradas de contexto e conteúdos antigos reapresentados como atuais, alterando a interpretação do público.
A disseminação automatizada amplia esse problema. Bots podem reproduzir publicações em grande escala, enquanto grupos fechados em aplicativos como WhatsApp e Telegram dificultam o acompanhamento da circulação do conteúdo. Segundo os especialistas ouvidos no levantamento, a redução do custo para produzir materiais falsos ou manipulados também aumentou a capacidade de disseminação.
Luiz Gustavo de Andrade, advogado e integrante da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/PR, resume uma das estratégias utilizadas nesse ambiente: “O objetivo de quem produz e divulga desinformação é criar dúvida, o que já é suficiente para influenciar o comportamento do eleitor.”
Eleições 2026 terão desafio adicional com a IA
O Brasil dispõe de mecanismos como direito de resposta, remoção de conteúdo e responsabilização civil e criminal. No campo eleitoral, a análise de cada situação pode considerar fatores como intenção, alcance, impacto e participação na produção ou disseminação do material.
Para o eleitor, a dificuldade será reconhecer manipulações que parecem legítimas. Antes de compartilhar uma publicação, é importante verificar se a informação aparece em fontes confiáveis, conferir a data original, procurar o conteúdo completo quando houver apenas um recorte e desconfiar de imagens, vídeos ou áudios apresentados sem origem verificável.
Conteúdos criados para provocar indignação ou outra reação emocional imediata também exigem atenção. Com ferramentas capazes de produzir material realista em poucos minutos, interromper o compartilhamento até confirmar a procedência passa a ser uma barreira importante contra a propagação de informações falsas.
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