Política • 15:03h • 27 de agosto de 2026
Facebook aprova mais da metade dos anúncios com desinformação eleitoral em teste de ONG
Experimento foi realizado com conteúdos falsos programados para não chegarem ao público; Meta contesta alcance do estudo e afirma manter diferentes camadas de análise
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
Um teste realizado pela Anistia Internacional Brasil identificou falhas na moderação de anúncios políticos do Facebook a 40 dias do primeiro turno das eleições de 2026. Dos 14 anúncios que continham desinformação eleitoral submetidos à plataforma, oito foram aprovados para publicação. Nenhum deles chegou a ser exibido aos usuários, já que a própria organização programou as campanhas para uma data futura e as cancelou antes da veiculação.
O experimento envolveu 15 anúncios em português direcionados a brasileiros com idade para votar. Além dos 14 conteúdos propositalmente falsos, foi incluído um anúncio neutro. Entre as peças testadas estavam alegações destinadas a desacreditar o sistema eleitoral, informações incorretas sobre como e quando votar e conteúdos que defendiam soluções autoritárias.
Segundo a Anistia, os sete anúncios rejeitados, incluindo o conteúdo neutro, não foram barrados especificamente por desinformação. A justificativa apresentada pelo Facebook estava relacionada às regras para publicidade sobre questões sociais, eleições ou política e à necessidade de verificação de identidade da conta.
Teste também foi realizado fora do Brasil
Outro ponto levantado pela organização é que os anúncios foram submetidos a partir de Londres, sem uso de VPN para ocultar a localização. Para a Anistia Internacional, a possibilidade de programar esse tipo de publicidade fora do Brasil aumenta a preocupação com eventuais campanhas nacionais ou estrangeiras de interferência no processo eleitoral.
A diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, classificou como alarmante o fato de o sistema de moderação não ter identificado mais da metade dos anúncios com desinformação eleitoral. A organização considera que os resultados colocam em dúvida a aplicação consistente das salvaguardas adotadas pela plataforma.
Meta contesta conclusão do levantamento
Procurada pela Agência Brasil, a Meta, proprietária do Facebook, contestou o alcance do experimento. A empresa afirmou que o relatório utiliza uma amostra muito pequena e ressaltou que nenhum dos anúncios chegou a ser publicado ou visualizado por usuários.
A companhia também informou que seu processo de avaliação de publicidade possui diferentes etapas de análise e detecção, antes e depois da publicação. Segundo a Meta, recursos estão sendo destinados à proteção das eleições brasileiras de 2026, incluindo mecanismos de transparência e protocolos específicos para anúncios políticos e eleitorais.
As regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelecem que plataformas que permitem conteúdo político-eleitoral devem adotar medidas para impedir ou reduzir a circulação de informações notoriamente falsas ou gravemente descontextualizadas capazes de afetar a integridade das eleições. Conteúdos falsos que desacreditem o sistema eletrônico de votação também podem ser retirados pelas plataformas independentemente de ordem judicial.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Quem são os alunos de Assis, Cândido Mota e Florínea que conquistaram intercâmbio internacional: veja a lista
Jovens de oito municípios estudarão no Canadá, na Irlanda e na Nova Zelândia pelo Prontos pro Mundo e devem entregar documentos até 21 de setembro