Ciência e Tecnologia • 09:10h • 29 de outubro de 2026
Expansão de data centers no Brasil levanta alerta sobre consumo de água e segurança dos dados
Pesquisa brasileira propõe avaliar impactos ambientais, proteção das informações e benefícios econômicos antes da concessão de incentivos públicos ao setor
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da MGA | Foto: Divulgação
A expansão dos data centers no Brasil, impulsionada pelo crescimento da inteligência artificial e por incentivos fiscais, exige atenção a fatores que vão além do consumo de energia. Um estudo apresentado em 9 de outubro, durante o evento internacional AI4SDG 2026, na Eslovênia, propõe critérios para avaliar o uso de recursos naturais, a segurança dos dados e os benefícios econômicos dessas instalações.
A pesquisa foi desenvolvida pelo professor Leonardo David Quintiliano, da Faculdade ESEG, do Grupo Etapa, e ganha relevância após a sanção, em setembro, da lei que instituiu o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). A legislação prevê incentivos tributários condicionados a exigências de sustentabilidade, eficiência hídrica e desenvolvimento tecnológico.
Segundo o pesquisador, utilizar energia renovável não significa, necessariamente, que um data center seja sustentável. Essas estruturas também podem exercer pressão sobre os recursos hídricos, apresentar riscos à segurança das informações e gerar benefícios econômicos limitados para as regiões onde são instaladas.
Estudo propõe novos critérios para avaliar data centers
A pesquisa apresenta um modelo de avaliação com pontuação de zero a 100, baseado em três dimensões: sustentabilidade ambiental, segurança e soberania digital, além dos impactos econômicos e sociais.
Entre os critérios estão o consumo de água e energia, a proteção das informações, a geração de empregos qualificados e a contribuição para o desenvolvimento tecnológico brasileiro.
O estudo também alerta que armazenar dados em servidores instalados no Brasil não garante que essas informações estejam submetidas exclusivamente à legislação nacional, já que empresas responsáveis pela infraestrutura podem estar sujeitas a regras estrangeiras.
A proposta prevê ainda que falhas críticas de segurança, ausência de licenças obrigatórias ou falta de transparência possam impedir uma avaliação favorável, independentemente da pontuação obtida.
O modelo ainda precisa passar por testes e validação empírica. A intenção é oferecer parâmetros para que autoridades e empresas avaliem os impactos dos investimentos antes da aprovação de projetos ou da concessão de benefícios públicos.
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