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Ciência e Tecnologia • 13:13h • 06 de junho de 2026

Exame de sangue capaz de detectar mais de 50 tipos de câncer avança em estudo internacional

Estudo com quase 143 mil participantes reforça potencial de nova tecnologia para ampliar diagnósticos em fases iniciais da doença

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Digital Trix | Foto: Arquivo/Âncora1

Exame de sangue que busca identificar mais de 50 tipos de câncer chama atenção em congresso mundial de oncologia
Exame de sangue que busca identificar mais de 50 tipos de câncer chama atenção em congresso mundial de oncologia

Uma das pesquisas mais comentadas da reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) 2026 trouxe novos dados sobre uma tecnologia que pode mudar a forma como o câncer é identificado no futuro. O estudo NHS-Galleri avaliou um exame de sangue capaz de detectar sinais associados a mais de 50 tipos de câncer e mostrou resultados promissores na identificação de tumores em estágios iniciais.

Realizada no Reino Unido, a pesquisa acompanhou cerca de 143 mil pessoas entre 50 e 79 anos durante três anos. O objetivo foi avaliar o desempenho do teste Galleri, que analisa fragmentos de DNA tumoral circulante presentes no sangue para identificar possíveis sinais da doença antes mesmo do aparecimento de sintomas.

Embora o estudo não tenha atingido seu principal objetivo estatístico relacionado à redução de determinados cânceres diagnosticados em fases avançadas, os pesquisadores observaram um aumento dos diagnósticos precoces e uma redução dos casos identificados já em estágio IV, considerado um dos mais avançados da doença.

O que os pesquisadores encontraram

Entre os resultados apresentados na ASCO, o estudo registrou aumento de 16% nos diagnósticos realizados nos estágios I e II do câncer. Também foi observada uma redução de 14% nos casos descobertos apenas quando a doença já estava em estágio IV.

Outro dado que chamou atenção foi o aumento expressivo do número de tumores detectados por rastreamento. Segundo os pesquisadores, a utilização do exame contribuiu para ampliar significativamente a identificação de casos que poderiam passar despercebidos por métodos tradicionais.

Para o médico Raphael Parmeggiani, vice-presidente de Assuntos Científicos em Oncologia da América Latina da Centogene, os resultados reforçam uma tendência que vem ganhando espaço na medicina. Segundo ele, os testes multicâncer representam uma mudança importante em relação aos programas tradicionais de rastreamento, que normalmente são desenvolvidos para identificar apenas um tipo específico de tumor por vez.

Tecnologia busca sinais da doença no sangue

Conhecidos como MCED (Multi-Cancer Early Detection), os testes multicâncer utilizam recursos de biologia molecular e inteligência artificial para analisar padrões presentes no sangue e identificar possíveis sinais associados a diferentes tipos de câncer simultaneamente.

Diferentemente de exames como mamografia, colonoscopia ou rastreamentos voltados a tumores específicos, a proposta dessa nova geração de testes é investigar vários tipos de neoplasias em uma única coleta.

O estudo também apontou uma especificidade superior a 99%, indicador que mede a capacidade do exame de evitar resultados falso-positivos, um dos principais desafios em estratégias de rastreamento populacional.

Caminho ainda exige novas pesquisas

Apesar dos resultados considerados animadores, especialistas ressaltam que ainda não há evidências suficientes para recomendar a adoção ampla desse tipo de exame na população geral.

Os pesquisadores destacam que serão necessários acompanhamentos mais longos para avaliar impactos diretos na mortalidade por câncer, além da relação entre custos e benefícios da utilização em larga escala.

Mesmo assim, o NHS-Galleri já é considerado um marco na oncologia por representar a maior avaliação populacional já realizada com um teste multicâncer em condições próximas da prática clínica.

Para a comunidade científica, os dados reforçam o potencial das tecnologias de medicina de precisão e indicam que os próximos anos podem trazer avanços importantes na busca por diagnósticos cada vez mais precoces, fator que continua sendo decisivo para aumentar as chances de tratamento e recuperação dos pacientes.

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