Cultura e Entretenimento • 17:13h • 29 de agosto de 2026
Eventos corporativos ganham novos cenários pensados para as fotos que vão parar nas redes sociais
Cenografia, iluminação e identidade visual passam a considerar não apenas a experiência presencial, mas também os registros que continuam circulando depois do encontro
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Divulgação
A fotografia deixou de ser apenas o registro dos eventos corporativos e passou a influenciar a própria concepção dos espaços. Cenografia, iluminação, disposição dos ambientes e ativações de marca começam a ser planejadas também para favorecer imagens que participantes possam produzir e compartilhar nas redes sociais, prolongando a comunicação para além do público presente.
A mudança acompanha a expansão desse mercado. São Paulo realizou 1.511 eventos B2B de grande porte em 2025, crescimento de 22% em relação ao ano anterior, segundo o Barômetro Eventos B2B, levantamento da União Brasileira de Feiras e Eventos de Negócios (UBRAFE) em parceria com a São Paulo Turismo. Juntos, esses encontros movimentaram aproximadamente R$ 14 bilhões na capital paulista.
Para João Paulo Ugioni, fundador e CEO da Altus Eventos, a estética passou a ocupar uma posição mais estratégica no planejamento. Em vez de pensar primeiro no evento e somente depois em como registrá-lo, empresas e produtores começam a considerar antecipadamente quais imagens aquela experiência poderá gerar e como elas representarão a marca fora do espaço físico.
Do evento para a tela do celular
A transformação ganha ainda mais significado em um cenário no qual o próprio participante se tornou produtor e distribuidor de conteúdo. Um estudo publicado em abril de 2026 no Journal of Hospitality and Tourism Insights, realizado com 457 integrantes das gerações Y e Z em exposições artísticas e culturais, identificou relação entre o envolvimento com a experiência e o compartilhamento nas redes sociais.
Embora o levantamento não tenha analisado especificamente congressos e convenções empresariais, o comportamento ajuda a explicar por que ambientes visualmente marcantes passaram a receber maior atenção. Uma fotografia feita espontaneamente pelo público pode levar a experiência para pessoas que sequer participaram do encontro.
Ugioni destaca que isso não significa simplesmente criar espaços bonitos para as redes sociais. Para ele, a imagem precisa representar a identidade da marca e aquilo que está sendo oferecido ao público, sem transformar todo o ambiente em uma grande peça publicitária.
Cenografia precisa funcionar dentro e fora do evento
Esse planejamento envolve detalhes que nem sempre eram considerados conjuntamente. Uma iluminação adequada para acompanhar uma apresentação no palco, por exemplo, pode não funcionar bem para fotografar o público. Da mesma maneira, o excesso de logotipos e elementos institucionais pode carregar visualmente o ambiente e reduzir a espontaneidade dos registros.
O desafio é desenvolver pontos reconhecíveis e atraentes sem prejudicar a funcionalidade de congressos, convenções, encontros executivos e outras agendas empresariais. Espaço, luz, circulação, cenografia e presença da marca precisam funcionar como partes de uma mesma experiência.
Também ganha importância a capacidade de uma fotografia continuar associada ao evento mesmo depois de publicada. Elementos visuais reconhecíveis podem ajudar a identificar a empresa, o encontro ou sua proposta sem depender da repetição ostensiva de logotipos.
Um evento termina, mas suas imagens continuam circulando
A lógica cria uma segunda vida para os encontros presenciais. Enquanto a primeira experiência acontece durante o evento, outra começa quando fotografias e vídeos chegam às redes sociais ou passam a integrar materiais institucionais e ações posteriores das empresas.
Para Ugioni, quando fotografia, cenografia e experiência são planejadas conjuntamente, o investimento feito no encontro também pode se transformar em um ativo de comunicação. Um evento que dura algumas horas ou dias pode continuar gerando conteúdo muito tempo depois de encerrado.
A mudança ajuda a explicar por que a fotografia ganhou espaço antes mesmo da chegada dos fotógrafos. Em parte dos eventos corporativos, a construção da imagem começa na escolha do local, passa pelo desenho do palco, pela iluminação e pela cenografia e termina nas telas de quem esteve presente e decidiu compartilhar a experiência.
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