Ciência e Tecnologia • 17:18h • 16 de maio de 2026
Europa, lua de Júpiter, entra no foco da ciência na busca por vida fora da Terra
Pesquisadores investigam oceano subterrâneo escondido sob camada de gelo e ampliam estudos sobre ambientes habitáveis no Sistema Solar
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Urania Planetário | Foto: Divulgação
A lua Europa, um dos principais satélites naturais de Júpiter, voltou a ganhar destaque entre pesquisadores e agências espaciais por reunir características consideradas promissoras na busca por vida extraterrestre. Coberta por uma espessa camada de gelo e marcada por fraturas gigantescas em sua superfície, a lua pode esconder um vasto oceano subterrâneo de água líquida, cenário que intriga cientistas há décadas.
Descoberta em 1610 por Galileu Galilei, Europa integra o grupo das quatro grandes luas galileanas de Júpiter. Segundo o astrônomo e professor Emerson Roberto Perez, da Urânia Planetário, o satélite é hoje um dos ambientes mais estudados do Sistema Solar quando o assunto é potencial de habitabilidade fora da Terra.
Apesar de possuir raio médio de cerca de 1.560 quilômetros, sendo ligeiramente menor que a Lua terrestre, Europa apresenta características consideradas únicas. Estudos apontam que abaixo da superfície congelada existe um oceano global de água salgada líquida que pode conter mais água do que todos os oceanos terrestres somados.
Oceano oculto amplia interesse científico
O principal fator que mantém a atenção da comunidade científica sobre Europa está relacionado às condições internas da lua. Pesquisadores acreditam que a intensa interação gravitacional entre Júpiter e Europa gera aquecimento interno suficiente para impedir o congelamento total da água abaixo da crosta gelada.
Além disso, há indícios de que esse oceano subterrâneo esteja em contato com um fundo rochoso, ambiente considerado semelhante às fontes hidrotermais existentes no fundo dos oceanos da Terra.
Essas regiões terrestres são conhecidas por abrigarem formas de vida mesmo sem presença de luz solar, alimentadas por processos químicos e térmicos extremos. Para os cientistas, essa possibilidade amplia significativamente o potencial de habitabilidade da lua joviana.
Missão da NASA deve aprofundar investigações
O interesse científico em Europa levou ao desenvolvimento de novas missões espaciais voltadas especificamente ao estudo da lua. Em outubro de 2024, a NASA lançou a missão Europa Clipper, que deve realizar dezenas de sobrevoos próximos à superfície ao longo da próxima década.
O objetivo será analisar a composição química do gelo, mapear a estrutura interna da lua e investigar possíveis sinais de ambientes favoráveis à existência de vida. A missão também pretende estudar a espessura da crosta congelada e compreender melhor os processos geológicos que moldam a superfície de Europa.
Segundo Emerson Roberto Perez, as pesquisas representam um avanço importante no entendimento sobre os limites da vida no universo. “As pesquisas envolvendo luas geladas do Sistema Solar ampliam o conceito tradicional de habitabilidade e reforçam a ideia de que oceanos ocultos sob superfícies congeladas podem guardar algumas das respostas mais importantes da astronomia contemporânea”, afirma.
Busca por vida vai além dos planetas habitáveis
Durante décadas, a busca por vida extraterrestre esteve concentrada principalmente em planetas localizados na chamada “zona habitável”, região em torno de uma estrela onde a água líquida poderia existir na superfície.
Nos últimos anos, porém, luas geladas como Europa passaram a ganhar protagonismo nas pesquisas científicas. Isso porque ambientes subterrâneos protegidos por gelo podem oferecer estabilidade térmica e química suficiente para sustentar formas de vida microscópica, mesmo longe da luz solar direta.
Além de Europa, outras luas do Sistema Solar, como Encélado, de Saturno, também vêm sendo estudadas por apresentarem sinais de oceanos internos e atividade geológica.
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