Ciência e Tecnologia • 10:46h • 15 de fevereiro de 2026
Estudo indica economia de até 16 horas semanais com uso de IA na educação
Estudo com mais de 2.000 escolas indica economia de tempo para professores e aumento de engajamento, mas país ainda carece de diretrizes nacionais específicas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da SevenPR Assessoria | Foto: Divulgação
A inteligência artificial já integra o cotidiano de escolas no Brasil e no exterior, mas o país ainda não possui diretrizes nacionais específicas para orientar seu uso pedagógico. A constatação faz parte do relatório “O Futuro da IA nas Escolas”, elaborado pela Teachy, plataforma de inteligência artificial voltada a professores, com base em dados coletados em mais de 2.000 escolas brasileiras e comparações internacionais de políticas educacionais.
Segundo o levantamento, países como Coreia do Sul, China, Austrália e Estados Unidos avançaram na institucionalização da IA na educação. Na Coreia do Sul, o Ministério da Educação implementou os chamados AI Digital Textbooks, livros didáticos inteligentes que se adaptam ao desempenho de cada aluno. Nos Estados Unidos, escolas como a Alpha School utilizam plataformas adaptativas para conduzir parte do conteúdo, enquanto o professor assume papel de mentor e tutor socioemocional. Austrália e China criaram diretrizes nacionais para regulamentar o uso responsável da tecnologia, abrangendo currículo e formação docente.
No Brasil, o uso da IA já ocorre em escala relevante. O relatório aponta que sistemas automatizados corrigem milhões de questões discursivas por mês. No programa Redação SP, da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, a tecnologia auxilia na avaliação de textos de mais de 570 mil alunos do 5º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. De acordo com o estudo, o volume processado supera a capacidade anterior de correção exclusivamente humana, reduzindo gargalos e acelerando o retorno aos estudantes.
Pedro Siciliano, CEO da Teachy, afirma que a tecnologia já está presente nas salas de aula e que o debate atual deve se concentrar na utilização com intencionalidade e formação adequada. Ele destaca que países mais avançados colocaram diretrizes claras e capacitação docente no centro da política educacional.
Apoio docente e economia de tempo
O relatório indica que quase 80% dos professores brasileiros apoiam o uso da IA, sendo 22% totalmente favoráveis e 53% favoráveis à adoção da tecnologia. Entre os principais benefícios apontados estão economia de tempo, aumento de engajamento e maior personalização.
A média de tempo economizado por semana varia conforme o nível de ensino:
- 15,3 horas no Ensino Médio
- 15,7 horas no Ensino Fundamental II
- 16,0 horas na Educação Infantil
- 16,1 horas no Ensino Fundamental
Engajamento e desempenho
O estudo aponta aumento de 77% no engajamento dos estudantes e crescimento de 81% nas notas, segundo dados analisados pela plataforma. Além disso, 60% dos docentes afirmaram que o maior benefício é percebido entre alunos com dificuldades de aprendizagem.
Ao serem questionados sobre quais grupos mais se beneficiam do uso da IA, os professores responderam:
- 36% indicaram alunos com dificuldades de aprendizagem
- 25% apontaram melhora em alunos com desempenho mediano
- 20% afirmaram que todos se beneficiam
- 11% citaram alunos de alto desempenho
- 9% não perceberam diferença
Desafio regulatório
Apesar do avanço prático, o Brasil ainda não possui política nacional específica para inteligência artificial na educação. Diretrizes como a Base Nacional Comum Curricular oferecem base conceitual, mas não estabelecem um marco regulatório voltado à adoção da tecnologia.
O relatório aponta que a ausência de um framework nacional cria tanto um desafio quanto uma oportunidade para estruturar a incorporação da IA de forma planejada, com foco na aprendizagem, formação docente e responsabilidade no uso.
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