Responsabilidade Social • 16:11h • 29 de abril de 2026
Estudo entre mulheres lésbicas aponta maior risco de vaginose bacteriana e alerta para saúde sexual
Pesquisa da Unesp indica desequilíbrio na microbiota vaginal e destaca impacto da desinformação no acesso a cuidados médicos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Unesp | Foto: Divulgação
Um estudo conduzido por pesquisadoras da Universidade Estadual Paulista (Unesp) aponta que mulheres que se relacionam sexualmente com outras mulheres podem apresentar maior risco de desenvolver vaginose bacteriana, condição associada ao desequilíbrio da microbiota vaginal. O levantamento também chama atenção para um problema estrutural: a desinformação na área da saúde, que ainda afasta parte desse público de consultas de rotina e compromete o acompanhamento preventivo.
A pesquisa foi desenvolvida ao longo de 12 anos pelo Departamento de Enfermagem da Faculdade de Medicina de Botucatu, em parceria com a Universidade Federal do Paraná, dentro do projeto “Cuidando da saúde da mulher que faz sexo com mulher”. O estudo teve apoio do Centro de Saúde Escola da própria Unesp e foi conduzido integralmente por uma equipe de pesquisadoras.
Diferenças na microbiota e maior incidência da condição
Para a análise, foram coletadas amostras de 109 participantes, divididas entre mulheres que tiveram relações exclusivamente com outras mulheres e aquelas que se relacionaram apenas com homens. Os grupos apresentavam perfis semelhantes em aspectos como idade, renda e etnia, o que permitiu uma comparação mais precisa dos resultados.
Utilizando o sequenciamento do gene rRNA 16S, considerado padrão-ouro na identificação de bactérias, as cientistas observaram diferenças relevantes na composição da microbiota vaginal. Cerca de 40% das mulheres que se relacionam com outras mulheres apresentaram vaginose bacteriana, percentual significativamente superior aos 14% registrados entre aquelas que se relacionam com homens.
Apesar dessa diferença, o estudo não identificou variação significativa na incidência de infecções sexualmente transmissíveis entre os grupos analisados.
Impactos para a saúde e necessidade de acompanhamento
De acordo com a enfermeira e pesquisadora Mariana Alice de Oliveira Ignácio, uma microbiota vaginal saudável é caracterizada pela predominância de bactérias do tipo Lactobacillus, responsáveis por inibir patógenos e proteger o organismo. A redução dessas bactérias pode favorecer o surgimento de infecções e outras complicações.
Alterações nesse equilíbrio estão associadas a riscos como doença inflamatória pélvica, maior vulnerabilidade a infecções, além de complicações em casos de gestação, como parto prematuro. A vaginose bacteriana também pode provocar sintomas como odor desagradável e aumento do corrimento, impactando diretamente o bem-estar das pacientes.
Segundo a pesquisadora, o resultado reforça evidências já apontadas por estudos internacionais, embora ainda não haja consenso científico sobre os fatores que explicam o desequilíbrio com maior frequência nesse grupo.
Desinformação ainda é barreira no acesso à saúde
Além dos dados clínicos, o estudo evidencia um desafio recorrente: a falta de preparo de parte dos profissionais de saúde para atender mulheres que fazem sexo com mulheres. Esse cenário contribui para o afastamento de consultas preventivas e reduz o acesso a orientações adequadas sobre saúde sexual e reprodutiva.
A pesquisa reforça a importância de ampliar o conhecimento dentro da área médica e de garantir um atendimento mais inclusivo e baseado em evidências. O acompanhamento regular continua sendo uma das principais ferramentas para diagnóstico precoce e prevenção de complicações.
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