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Saúde • 09:25h • 30 de abril de 2026

Estudo da USP aponta maior risco de disseminação da febre amarela perto de grandes cidades

Pesquisa revela que o vírus pode se espalhar com mais intensidade em áreas de transição entre mata e zona urbana, reforçando a importância da vacinação e da vigilância

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1

Para chegar aos resultados, os cientistas combinaram diferentes estratégias: coleta de mosquitos em vários níveis da floresta, monitoramento de primatas, análise genética do vírus e modelagem epidemiológica.
Para chegar aos resultados, os cientistas combinaram diferentes estratégias: coleta de mosquitos em vários níveis da floresta, monitoramento de primatas, análise genética do vírus e modelagem epidemiológica.

Um estudo da Faculdade de Medicina da USP trouxe novas evidências sobre o comportamento da febre amarela no Brasil, indicando que o vírus pode se espalhar com intensidade maior do que se imaginava em regiões próximas a grandes centros urbanos. A pesquisa, destaque de capa da revista científica Nature Microbiology na edição de abril, analisou a dinâmica da infecção em primatas na região metropolitana de São Paulo, onde áreas urbanas convivem com fragmentos de mata.

Os pesquisadores identificaram que o número básico de reprodução, indicador que mede o potencial de transmissão, pode chegar a 8,2. Na prática, isso significa que uma única infecção pode gerar mais de oito novos casos em condições favoráveis, um patamar superior ao estimado anteriormente.

O resultado acende um alerta ao indicar que, mesmo fora do ambiente urbano clássico, a doença pode atingir níveis elevados de disseminação. Segundo a coordenadora do estudo, Ester Sabino, a transmissão tende a ser mais intensa em áreas de transição entre floresta e cidade, onde o vírus encontra condições favoráveis para se espalhar rapidamente.

Rápida disseminação

Outro ponto destacado pela pesquisa é que surtos podem ser provocados por uma única linhagem do vírus, que se dissemina com rapidez quando há grande presença de mosquitos transmissores e hospedeiros suscetíveis.

O estudo também reforça o papel dos primatas não humanos no ciclo da doença. Além de amplificarem o vírus na natureza, esses animais funcionam como alerta precoce, já que a morte de macacos costuma ocorrer antes dos primeiros casos em humanos.

Para chegar aos resultados, os cientistas utilizaram uma abordagem integrada, com coleta de mosquitos em diferentes níveis da floresta, monitoramento de primatas, análise genética do vírus e modelagem epidemiológica. Essa combinação permitiu compreender com mais precisão como ocorre a transmissão do vírus de animais para humanos.

Prevenção depende de antecipação

Os achados dialogam com desafios atuais, como a expansão urbana sobre áreas naturais e as mudanças climáticas, fatores que aumentam o contato entre humanos, animais silvestres e mosquitos.

Embora o Brasil não registre transmissão urbana de febre amarela há décadas, o estudo indica que o risco de reemergência não pode ser descartado. Especialistas apontam que o principal caminho para evitar surtos é a antecipação, com monitoramento contínuo e ampliação da cobertura vacinal em áreas de risco.

Nesse cenário, a febre amarela deixa de ser uma preocupação restrita a regiões remotas e passa a exigir atenção também nas bordas das grandes cidades, onde a interação entre ambiente urbano e natural favorece a circulação do vírus.

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