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Saúde • 15:33h • 03 de fevereiro de 2026

Estudo aponta diferenças entre febre do Oropouche e dengue e como ajudar no diagnóstico

Pesquisadores recomendam protocolo que funcione contra ambas

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Conselho Federal de Farmácia/Divulgação

Mosquito maruim, transmissor da febre do Oropouche.
Mosquito maruim, transmissor da febre do Oropouche.

Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros durante o surto de febre do Oropouche em 2024 busca ajudar profissionais de saúde a diferenciar essa doença da dengue, especialmente em regiões onde os dois vírus circulam ao mesmo tempo. A pesquisa foi feita em Manaus (AM) e publicada na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases.

Segundo o estudo, os sintomas das duas doenças são muito parecidos, o que dificulta o diagnóstico apenas com base no quadro clínico. Ainda assim, algumas diferenças foram observadas. Na febre do Oropouche, a dor de cabeça costuma ser mais intensa, as dores nas articulações são mais frequentes e as manchas na pele tendem a ser mais espalhadas. Exames laboratoriais também indicaram alterações leves nas enzimas do fígado e respostas diferentes do sistema imunológico.

Já na dengue, é mais comum a queda das plaquetas no sangue, o que aumenta o risco de sangramentos e de complicações mais graves, como o choque. Mesmo com essas diferenças, os pesquisadores alertam que os sintomas, sozinhos, não são suficientes para identificar com segurança qual doença o paciente tem.

Para a médica e pesquisadora Maria Paula Mourão, da Rede Colaborativa de Vigilância Ampliada e Oportuna (Revisa), o mais importante não é distinguir a doença, mas reconhecer rapidamente sinais de gravidade. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, confusão mental ou piora do estado geral exigem procura imediata por atendimento de saúde.

Ela destaca ainda que gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas precisam de atenção redobrada. Mesmo sintomas leves devem ser avaliados por um profissional de saúde o quanto antes.

O estudo acompanhou pacientes com febre aguda atendidos na Fundação de Medicina Tropical de Manaus por até 28 dias, com exames clínicos e laboratoriais para dengue, Oropouche e outras arboviroses. Os pesquisadores identificaram que o surto de 2024 foi causado por uma linhagem do vírus Oropouche com maior capacidade de multiplicação, o que pode explicar a intensidade dos casos registrados naquele ano.

A febre do Oropouche é causada por um vírus transmitido principalmente pelo mosquito Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. Já a dengue é transmitida pelo Aedes aegypti. Embora ambas sejam arboviroses, o controle do Oropouche é mais difícil, pois o mosquito transmissor se reproduz em ambientes naturais úmidos, com matéria orgânica em decomposição.

Especialistas apontam que melhorar o diagnóstico, o monitoramento dos vírus e o acompanhamento das diferentes linhagens é essencial para enfrentar as duas doenças, especialmente em áreas onde elas ocorrem simultaneamente.

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