Ciência e Tecnologia • 15:39h • 03 de setembro de 2026
Estudantes criam cadeira de rodas controlada por expressões faciais com ajuda de inteligência artificial
Tecnologia reconhece movimentos como levantar as sobrancelhas e abrir a boca; após seis protótipos, projeto avança para testes em uma cadeira motorizada de tamanho real
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Central Press | Foto: Divulgação/Biopark
Levantar as sobrancelhas para seguir em frente e abrir a boca para parar. Dois estudantes de Toledo, no Paraná, desenvolveram um sistema que utiliza inteligência artificial e visão computacional para controlar uma cadeira de rodas por expressões faciais. Depois de seis protótipos produzidos com impressão 3D e de alcançar 98,5% de precisão no reconhecimento dos comandos, o projeto começa agora a ser adaptado para uma cadeira motorizada de tamanho real.
Batizada de Face Control, a tecnologia foi criada por Fernando Miguel Koch e Laura Garbozza durante atividades no contraturno da Academia Donaduzzi. A proposta é oferecer uma alternativa para pessoas com deficiência motora severa que não conseguem utilizar os mecanismos convencionais de controle de uma cadeira de rodas.
O desenvolvimento começou em abril de 2025, após Fernando pesquisar dificuldades enfrentadas por esse público. Os estudantes encontraram tecnologias baseadas em movimentos da cabeça e comandos de voz, mas também relatos de pessoas que não conseguiam utilizá-las ou enfrentavam limitações em ambientes com muito ruído.
Da escola ao protótipo real: jovens criam tecnologia para controlar cadeira de rodas com o rosto
Expressões são transformadas em comandos
A alternativa encontrada foi criar um sistema que dispensasse a fala e movimentos corporais amplos. Por meio de visão computacional, a tecnologia identifica determinadas expressões do usuário e as converte em instruções para movimentar a cadeira.
Os testes avançaram ao longo de seis protótipos até o sistema atingir 98,5% de precisão no reconhecimento das expressões utilizadas como comandos. O projeto recebeu investimento do Biopark, por meio da área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), para avançar à próxima fase.
A equipe trabalha agora na instalação da tecnologia em uma cadeira de rodas motorizada em tamanho real. Essa etapa permitirá avaliar o funcionamento em condições mais próximas do uso cotidiano, além dos aspectos técnicos e da viabilidade de uma eventual produção.

“Desde o início, o projeto nasceu de uma dor real. O estudante trouxe uma preocupação, pesquisamos soluções e começamos a construir uma alternativa”, explica Lucas Souza, professor que orienta o trabalho ao lado de Gustavo Luiz K. Klein.
Projeto já recebeu prêmios de tecnologia e inovação
O Face Control recebeu uma moção de aplausos da Câmara Municipal de Toledo e conquistou dois prêmios, na Mostra de Projetos da Academia Donaduzzi e na Feira Científica do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (FENAAHs).
Fernando também conquistou recentemente medalha de ouro na 2ª Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial (ONIA). A competição reuniu mais de 950 mil estudantes de 18 estados, dos quais apenas 28 receberam ouro. Na etapa final, o jovem desenvolveu um modelo de inteligência artificial utilizando o Santos Dumont, supercomputador dedicado à pesquisa científica.
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