Economia • 10:23h • 15 de maio de 2026
Estratégias de consumo aumentam volume de endividamento
Especialistas alertam para uso excessivo de crédito com parcelamento
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
O parcelamento de compras do dia a dia, como supermercado, combustível e farmácia, tem se tornado cada vez mais comum entre os brasileiros. O que antes era pago à vista agora frequentemente é dividido em parcelas sem juros, prática que, segundo especialistas, pode comprometer a organização financeira das famílias.
A socióloga Adriana Marcolino, diretora técnica do Dieese, observa que muitas pessoas passaram a usar o crediário para custear despesas básicas do orçamento mensal. Segundo ela, o crédito deveria ser utilizado principalmente para a compra de bens duráveis e de maior valor, e não como complemento da renda para gastos cotidianos.
Especialistas alertam que a facilidade de acesso ao crédito pode aumentar a chamada “ansiedade de consumo”. A economista Katherine Hennings, pesquisadora associada da Fundação Getulio Vargas (FGV) e analista da BRCG Consultoria, explica que existe um comportamento crescente de antecipar o consumo estimulado por propagandas, redes sociais e influenciadores digitais.
De acordo com a economista, o problema não está apenas na compra em si, mas na falta de planejamento financeiro. Muitas pessoas avaliam apenas se a parcela cabe no orçamento mensal, sem considerar o impacto total da dívida e os juros envolvidos.
O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes, afirma que o consumidor brasileiro costuma pesquisar bastante o preço dos produtos, mas nem sempre compara os custos do financiamento antes de assumir uma dívida.
A falta de controle financeiro pode levar ao uso de modalidades de crédito com juros elevados, como cheque especial, parcelamento da fatura do cartão e crédito rotativo, considerado um dos mais caros do mercado.
Outro erro comum, segundo a economista Isabela Tavares, da Consultoria Tendências, é considerar o limite do cartão de crédito ou do cheque especial como parte da renda disponível. Ela ressalta que o limite não representa dinheiro extra, mas um valor que precisará ser pago futuramente.
Para especialistas, ampliar a educação financeira da população é fundamental para evitar o superendividamento. O planejador financeiro Carlos Castro, criador da plataforma SuperRico e integrante da associação Planejar, defende que medidas emergenciais, como programas de renegociação de dívidas, ajudam momentaneamente, mas não resolvem o problema estrutural do endividamento das famílias brasileiras.
Dados do Banco Central mostram que a inadimplência das famílias no Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 238,5 bilhões em março, equivalente a 5,3% do total de crédito concedido às pessoas físicas.
Já levantamento da Serasa Experian aponta que 81,7 milhões de brasileiros estão inadimplentes. A maior parte das dívidas em atraso é com bancos e financeiras, e a maioria dos devedores recebe até dois salários mínimos.
Segundo especialistas, pessoas de baixa renda acabam mais vulneráveis ao uso de linhas de crédito mais caras, muitas vezes por não terem acesso a modalidades com juros menores, como o crédito consignado.
Para Adriana Marcolino, do Dieese, os juros elevados fazem com que uma parcela significativa da renda dos trabalhadores seja direcionada ao sistema financeiro. Quanto maiores os juros cobrados, maior é o comprometimento da renda familiar com o pagamento das dívidas.
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