Ciência e Tecnologia • 20:01h • 04 de agosto de 2026
Estágio de foguete da SpaceX deve atingir a Lua nesta madrugada e pode criar nova cratera
Impacto está previsto para as 3h35 desta quarta-feira e poderá produzir um breve clarão e uma pluma de poeira, mas observação a partir da Terra ainda é considerada incerta
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Urania Planetário | Foto: Divulgação
Um estágio superior descartado do foguete Falcon 9, da SpaceX, deverá colidir com a superfície da Lua na madrugada desta quarta-feira (5). A previsão orbital mais recente aponta que o impacto ocorrerá às 3h35min37s, no horário de Brasília, próximo à cratera Einstein, na região do limbo iluminado do satélite natural. Embora o choque possa gerar um clarão e lançar uma grande quantidade de poeira lunar, especialistas alertam que ainda não há garantia de que o fenômeno será visível da Terra.
O objeto, identificado como 2025-010D, foi utilizado no lançamento das missões lunares Blue Ghost 1 e HAKUTO-R Resilience, em janeiro de 2025. Após cumprir sua missão, o segundo estágio permaneceu em uma órbita elevada e passou a ser monitorado por observatórios e pesquisadores.
Colisão pode abrir uma nova cratera na superfície lunar
Com massa estimada em cerca de quatro toneladas, o estágio deverá atingir a Lua a aproximadamente 2,43 quilômetros por segundo, velocidade equivalente a cerca de 8.700 km/h.
Modelos científicos indicam que a colisão poderá formar uma cratera com algumas dezenas de metros de diâmetro, embora o tamanho final dependa de fatores como a orientação do foguete no momento do impacto e a massa efetivamente envolvida na colisão.
Além da cratera, pesquisadores esperam que o choque lance uma grande quantidade de material da superfície lunar.
Clarão pode durar menos de um segundo
O primeiro sinal esperado pelos astrônomos é um breve clarão provocado pelo impacto.
No entanto, esse brilho poderá durar menos de um segundo e sua intensidade ainda é desconhecida. Como o local da colisão estará iluminado pelo Sol, o contraste será bastante reduzido, tornando improvável qualquer observação a olho nu.
Mesmo para observatórios, a detecção dependerá de telescópios e, preferencialmente, de câmeras capazes de registrar imagens em alta velocidade.
Poeira pode alcançar dezenas de quilômetros de altura
Além do clarão, os cientistas esperam a formação de uma pluma de poeira e fragmentos.
Simulações sugerem que a principal nuvem de material poderá atingir entre 15 e 20 quilômetros de altura, enquanto uma coluna central mais estreita poderia alcançar dezenas de quilômetros acima da superfície lunar.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que esses números fazem parte de modelos teóricos e não representam uma previsão exata do que será observado.
Fenômeno não representa qualquer risco para a Terra
Nas últimas atualizações orbitais, o ponto estimado para o impacto sofreu um pequeno deslocamento em direção a uma área mais próxima da borda oculta da Lua. Essa mudança pode dificultar ainda mais uma eventual observação a partir da Terra.
Apesar da expectativa científica, o evento não representa qualquer perigo para o planeta nem provocará alterações perceptíveis na órbita da Lua.
Segundo o professor Marcos Calil, o principal interesse está na oportunidade de estudar como objetos artificiais interagem com a superfície lunar, contribuindo para pesquisas sobre formação de crateras, comportamento da poeira e riscos relacionados aos detritos espaciais.
"O impacto deverá acontecer, mas ainda não sabemos se conseguiremos registrar algum efeito a partir da Terra", explica o pesquisador.
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