Saúde • 08:01h • 29 de janeiro de 2026
Esporotricose: entenda o que é a doença causada por fungo e por que ela preocupa a saúde pública
Micose pode ser transmitida pelo contato com solo, plantas e, cada vez mais, por animais infectados; Ministério da Saúde reforça vigilância e notificação no SUS
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Ministério da Saúde | Foto: Arquivo Âncora1
A esporotricose é uma infecção causada por fungos do gênero Sporothrix e atinge principalmente a pele e as mucosas. A doença ocorre quando o fungo entra no organismo por meio de ferimentos na pele, geralmente após contato com solo, plantas ou matéria orgânica. Nos últimos anos, porém, tem crescido de forma significativa a transmissão por animais, especialmente gatos, o que acendeu um alerta para a saúde pública no Brasil.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde atualizou as orientações para a vigilância e a notificação da esporotricose humana em todo o país. A medida busca ampliar o monitoramento da doença e garantir diagnóstico e tratamento mais rápidos no Sistema Único de Saúde (SUS).
A esporotricose costuma se manifestar por lesões na pele que podem começar como pequenos nódulos e evoluir para feridas ulceradas, com ou sem secreção. Em muitos casos, a infecção é subaguda ou crônica e não responde a tratamentos antibacterianos, o que pode atrasar o diagnóstico. A confirmação pode ser feita a partir da avaliação clínica associada ao histórico de contato com gatos ou material orgânico, além de exames laboratoriais, como cultura do fungo ou testes moleculares.
Com a inclusão da esporotricose humana na Lista Nacional de Notificação Compulsória, todos os casos confirmados, tanto na rede pública quanto na privada, passam a ser comunicados semanalmente ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). A notificação é obrigatória e deve ser feita pela unidade de saúde que identifica o caso, permitindo a construção de um panorama mais preciso da circulação da doença no país.
Segundo o Ministério da Saúde, o crescimento dos casos de transmissão zoonótica reforça a necessidade de integração entre a vigilância em saúde, a atenção primária e os serviços veterinários. A coordenadora-geral de Vigilância de Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas, Fernanda Dockhorn, destaca que a notificação compulsória fortalece o planejamento de ações de prevenção e assistência, com impacto direto na proteção da população.
A prevenção da esporotricose envolve cuidados no ambiente doméstico e no trabalho. Em casa, a recomendação é manter a guarda responsável dos animais, especialmente gatos, evitando que circulem livremente em áreas externas e buscando atendimento veterinário diante de feridas ou sinais suspeitos. O manejo de animais doentes deve ser feito com cuidado para evitar a transmissão.
No ambiente ocupacional, trabalhadores da jardinagem, agricultura, construção civil e manejo de animais devem adotar medidas de proteção, como o uso de luvas e calçados adequados, além de práticas coletivas de prevenção que reduzam o risco de contato com o fungo.
O enfrentamento da esporotricose também exige uma abordagem integrada, conhecida como Uma Só Saúde, que articula ações entre saúde humana, saúde animal e meio ambiente. A coordenação entre vigilância epidemiológica, vigilância de zoonoses, saúde do trabalhador e atenção básica é considerada essencial para identificar áreas de risco, reduzir a transmissão e fortalecer a resposta local.
A nota técnica do Ministério da Saúde também destaca a importância da capacitação contínua das equipes de saúde, especialmente na atenção primária, para reconhecer os sinais da doença, realizar a notificação adequada e orientar a população sobre prevenção e cuidados, ampliando a capacidade de resposta do SUS diante do avanço da esporotricose no país.
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