Política • 11:31h • 19 de agosto de 2026
Especialistas alertam para risco de ações cibernéticas dos EUA nas eleições brasileiras
Analistas ouvidos pela Agência Brasil apontam possibilidade de interferência digital e uso de plataformas para influenciar o debate eleitoral; avaliação ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Arquivo/Âncora1
Especialistas em geopolítica, relações internacionais e tecnologia alertam para o risco de ações cibernéticas e interferências digitais dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de outubro. A avaliação foi feita por analistas consultados pela Agência Brasil diante da escalada das tensões entre os dois países e de recentes medidas adotadas pelo governo de Donald Trump.
Entre os pontos que despertaram preocupação está um memorando assinado por Trump na semana passada, quarta-feira (12), voltado ao combate a crimes transnacionais praticados por meios digitais. Segundo os especialistas ouvidos, o documento amplia possibilidades de atuação norte-americana no ambiente cibernético e prevê cooperação com empresas privadas.
O texto menciona ações envolvendo sistemas de informação, redes de telecomunicações, internet e outras infraestruturas digitais. Para os analistas, ferramentas dessa natureza também poderiam ser utilizadas de maneira difícil de identificar, inclusive em operações capazes de afetar o ambiente informacional de outros países.
Big techs entram no centro da preocupação
O pesquisador Reynaldo Aragon, do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação, avalia que o risco vai além do impulsionamento de determinados conteúdos nas redes sociais. Segundo ele, operações digitais podem envolver coleta de informações, produção de dossiês e outras ações capazes de favorecer ou prejudicar atores políticos.
A preocupação ocorre em um cenário no qual grandes empresas norte-americanas controlam plataformas, serviços e infraestruturas digitais utilizados mundialmente. Aragon defende, diante disso, maior autonomia brasileira em sistemas considerados estratégicos.
A relação entre empresas de tecnologia e estruturas do governo dos Estados Unidos também é citada pelos especialistas. Em 2025, executivos ligados a empresas como Meta, OpenAI e Palantir foram incorporados ao Destacamento 201 do Exército norte-americano, criado para aproximar lideranças tecnológicas das Forças Armadas.
Analistas temem tentativa de desacreditar eleição
Outro risco apontado é o uso do ambiente digital para questionar a confiabilidade do processo eleitoral brasileiro ou amplificar conteúdos destinados a desacreditar seus resultados.
O professor de história e especialista em geopolítica Euclides Vasconcelos avalia que as plataformas digitais possuem capacidade de influenciar segmentos específicos da população e, por isso, passaram a ocupar posição relevante nas disputas políticas internacionais.
As avaliações dos especialistas são feitas em meio ao agravamento das relações entre os governos brasileiro e norte-americano. Nos últimos meses, medidas adotadas pelos Estados Unidos incluíram tarifas contra produtos brasileiros e cancelamento de vistos de autoridades.
Em julho, o governo brasileiro também barrou vistos de dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA diante de suspeitas relacionadas à atuação deles sobre questões envolvendo o sistema eleitoral brasileiro.
Eleição ocorre em cenário de tensão internacional
Os analistas relacionam ainda o cenário à nova estratégia de segurança dos Estados Unidos, divulgada no fim de 2025 e marcada pela intenção de ampliar a influência norte-americana na América Latina.
Em junho, Donald Trump chegou a mencionar a eleição brasileira como um dos testes para a atuação geopolítica dos Estados Unidos na região. Para Vasconcelos, o peso econômico e político do Brasil torna o país especialmente relevante nesse contexto.
Apesar dos alertas, as declarações apresentadas pela Agência Brasil são avaliações de especialistas sobre riscos e possibilidades futuras. O material não apresenta evidências de que uma operação cibernética norte-americana contra as eleições brasileiras esteja atualmente em execução.
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