Ciência e Tecnologia • 14:15h • 03 de setembro de 2026
Enxaguante com canabidiol surpreende em teste contra biofilme dental; veja o que a USP descobriu
Pesquisa testou três concentrações de CBD e encontrou no índice de 0,05% o resultado mais equilibrado; produto ainda precisa passar por novas etapas antes de eventual uso clínico
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da USP | Foto: Divulgação
O canabidiol (CBD) pode se tornar uma alternativa à clorexidina em enxaguantes bucais para controle do biofilme dental. Em estudo realizado na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da USP, uma formulação com CBD a 0,05% apresentou eficácia semelhante à clorexidina a 0,12%, mas provocou menor alteração na cor do esmalte. Os resultados foram publicados na revista científica Clinical Oral Investigations.
A pesquisa, desenvolvida por Anna Luísa Araújo Pimenta, sob orientação da professora Fernanda de Carvalho Panzeri, partiu de um problema conhecido na odontologia. Embora seja considerada referência no controle antimicrobiano, a clorexidina pode provocar efeitos adversos quando utilizada por períodos prolongados, como manchas nos dentes e alteração do paladar.
Os pesquisadores testaram três concentrações de canabidiol, de 0,01%, 0,05% e 0,1%, comparando os resultados com clorexidina a 0,12% e um placebo. Entre elas, o CBD a 0,05% apresentou o melhor equilíbrio entre controle do biofilme, preservação da resistência do esmalte e menor alteração de cor.
Teste foi feito com esmalte bovino dentro da boca dos participantes
Um ponto importante do estudo é que o enxaguante com CBD não foi aplicado diretamente nos dentes dos voluntários. Treze participantes utilizaram dispositivos removíveis, semelhantes a placas, contendo pequenos fragmentos de esmalte de dentes bovinos.
Esse material possui características semelhantes às do esmalte humano e, ao permanecer na boca, ficou exposto à saliva, temperatura e bactérias presentes naturalmente no ambiente oral. Cada participante passou por cinco fases de sete dias, uma para cada formulação avaliada.
Para simular a exposição frequente ao açúcar, parte das amostras também recebeu solução de sacarose a 20% oito vezes ao dia. Os pesquisadores analisaram formação de biofilme, resistência, rugosidade e alteração de cor do esmalte, além de examinar as amostras por microscopia eletrônica.
Clorexidina deixou amostras mais escuras e amareladas
As diferenças também puderam ser percebidas visualmente. As amostras tratadas com clorexidina apresentaram maior alteração de cor, ficando mais escuras e amareladas, enquanto os grupos tratados com canabidiol tiveram mudanças menores.
No controle do biofilme, as concentrações de CBD a 0,05% e 0,1% apresentaram resultados semelhantes aos da clorexidina. A menor concentração, de 0,01%, teve ação mais limitada, enquanto a de 0,1% provocou pequeno aumento da rugosidade do esmalte em uma das condições avaliadas.
“A principal vantagem é justamente evitar os efeitos adversos que a clorexidina apresenta com o uso prolongado, mantendo uma eficácia parecida no controle do biofilme”, explica Anna Luísa.
Resultado ainda não significa enxaguante com CBD nas farmácias
Apesar dos resultados, a pesquisa ainda é experimental e não demonstra que produtos com canabidiol já possam substituir a clorexidina no uso cotidiano. Os próximos passos incluem estudos com mais participantes, períodos maiores de acompanhamento e novas avaliações de segurança e eficácia.
Os pesquisadores também pretendem investigar por quanto tempo o efeito do CBD permanece na boca após a aplicação. Somente depois de novas etapas, caso os resultados continuem favoráveis, poderá ser considerado o desenvolvimento de um produto comercial, que ainda dependeria dos procedimentos regulatórios e de eventual registro na Anvisa.
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