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Variedades • 18:37h • 10 de maio de 2026

Entre filhos, trabalho e noites curtas, mães voltam a estudar e retomam sonhos interrompidos

Ensino a distância impulsiona retorno de mulheres à formação superior e amplia busca por autonomia profissional

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Divulgação

Com rotina apertada, mães encontram no EAD uma chance real de voltar a estudar
Com rotina apertada, mães encontram no EAD uma chance real de voltar a estudar

A maternidade interrompeu os estudos de milhares de mulheres brasileiras por anos. Agora, impulsionadas pela flexibilidade do ensino a distância, muitas delas estão retomando a formação acadêmica, reorganizando a rotina e redefinindo os próprios caminhos profissionais entre trabalho, filhos e tarefas domésticas.

O movimento cresce em todo o país. Dados do Censo da Educação Superior, do Inep, mostram que o ensino a distância já representa quase metade das matrículas no Brasil e continua avançando, especialmente entre estudantes adultos. Entre os grupos que mais cresceram nos últimos anos estão mulheres com filhos, que encontram no modelo digital uma alternativa mais compatível com a realidade da dupla jornada.

Voltar a estudar significa encaixar aulas, leituras e provas em pequenos intervalos do dia, muitas vezes depois que os filhos dormem ou durante breves pausas da rotina.

Maternidade ainda interrompe a trajetória educacional de muitas mulheres

Segundo o IBGE, mulheres brasileiras ainda dedicam quase o dobro do tempo aos cuidados domésticos e familiares em relação aos homens. Esse desequilíbrio ajuda a explicar por que tantas interrompem a formação acadêmica ao longo da vida.

Para o professor e fundador da UFEM Educacional, Tiago Zanolla, o avanço das plataformas digitais mudou a forma como essas mulheres conseguem acessar a educação. “A maternidade ainda interrompe a trajetória educacional de muitas mulheres, mas o digital criou uma possibilidade concreta de retomada. Hoje, a gente vê mães que reorganizam a rotina para estudar em pequenos intervalos, o que antes era inviável no modelo tradicional”, afirma.

Segundo Zanolla, a transformação não ocorreu apenas no acesso, mas principalmente no formato do ensino. “O estudo deixou de depender de presença física e passou a se adaptar à rotina do aluno”, completa.

Ensino a distância vira ponte para retomar sonhos antigos

A história de Mara Silva, de 38 anos, representa esse cenário vivido por muitas brasileiras. Ela interrompeu os estudos ainda no ensino médio ao engravidar aos 19 anos e só conseguiu concluir a formação anos depois. Hoje, encontrou no EAD uma forma possível de voltar a estudar. “Às vezes consigo estudar meia hora por dia. Em outros momentos, aproveito mais os fins de semana. Isso fez toda a diferença”, relata.

Além da flexibilidade, ela destaca a redução de custos e o ganho de tempo por não precisar se deslocar até uma instituição presencial. “Consigo estudar em casa e manter minha rotina”, afirma.

A mesma realidade é compartilhada por Ivanir Aparecida Machado, de 54 anos, que ficou mais de duas décadas afastada da sala de aula. “Fiquei mais de 20 anos sem estudar, mas decidi voltar porque o sonho fala mais alto”, conta. Ela reconhece as dificuldades do processo, mas vê o retorno aos estudos como uma conquista pessoal. “É desafiador voltar depois de tanto tempo, mas estou muito feliz por ter retomado”, diz.

Busca por estabilidade e autonomia impulsiona retorno

Além da realização pessoal, o retorno à educação também está ligado à necessidade de estabilidade financeira e crescimento profissional. Em um mercado que ainda exige diploma para diversas funções e concursos públicos, muitas mulheres encontram barreiras justamente pela ausência de certificação formal, mesmo já tendo experiência profissional.

“A educação formal continua sendo um filtro importante no mercado. Muitas dessas mulheres têm experiência, mas acabam limitadas pela falta do diploma”, explica Zanolla.

Para Julia Russo, de 36 anos, o ensino a distância tornou possível um objetivo que parecia distante. “O EAD me deu uma possibilidade real de conquistar um diploma. Antes, pela rotina e pela distância, isso era inviável”, afirma. Ela conta que a flexibilidade permite adaptar os estudos ao cotidiano corrido. “Quando surge um tempo livre, já aproveito para adiantar alguma matéria”, relata.

Mais do que carreira, retomada representa transformação pessoal

Especialistas avaliam que o avanço do ensino digital tende a ampliar ainda mais esse movimento nos próximos anos, acompanhando mudanças no perfil do estudante brasileiro.

Ao mesmo tempo, o retorno à educação tem impacto que vai além do currículo profissional. Para muitas mães, estudar novamente também representa recuperar projetos pessoais interrompidos pela maternidade e se tornar referência para os próprios filhos. “Não é algo romantizado. É difícil, exige disciplina, organização e muitas vezes abrir mão do descanso. Mas o retorno pessoal e profissional compensa”, afirma Zanolla.

O cenário também reforça uma mudança estrutural no acesso ao ensino no país, em que a flexibilidade deixa de ser apenas diferencial e passa a ser condição fundamental para ampliar a inclusão educacional de milhares de brasileiros.

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