Economia • 08:18h • 14 de maio de 2026
Entenda como funciona investir no Tesouro Reserva
Instrumento é aposta do governo para atrair pequenos investidores
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
O governo federal lançou na segunda-feira (11) o Tesouro Reserva, uma nova modalidade de investimento público voltada principalmente para pequenos investidores e pessoas que desejam guardar dinheiro com segurança, liquidez e facilidade de acesso.
O produto permite aplicações a partir de R$ 1, terá rendimento diário atrelado à Taxa Selic — atualmente em 14,5% ao ano — e poderá ser movimentado a qualquer hora do dia, inclusive aos fins de semana e feriados.
A iniciativa busca ampliar o acesso da população aos títulos públicos e competir diretamente com produtos populares oferecidos por bancos e fintechs, como poupança, CDBs e as chamadas “caixinhas” digitais.
Neste primeiro momento, o Tesouro Reserva estará disponível apenas para clientes do Banco do Brasil, instituição que possui cerca de 80 milhões de correntistas. O Tesouro Nacional informou que negocia a adesão de outras instituições financeiras à nova plataforma.
O que é o Tesouro Reserva
O Tesouro Reserva é um título público federal. Na prática, quem investe está emprestando dinheiro ao governo em troca de uma remuneração baseada na Taxa Selic, considerada a taxa básica de juros da economia brasileira.
A proposta do governo é transformar o produto em uma alternativa simples para formação de reserva de emergência, ou seja, dinheiro destinado a situações inesperadas, como problemas de saúde, desemprego ou despesas urgentes.
Com os juros elevados atualmente, o investimento tende a oferecer rendimento superior ao da poupança.
Como funciona o investimento
O Tesouro Reserva terá rendimento diário e poderá ser resgatado a qualquer momento.
A principal diferença em relação aos títulos tradicionais do Tesouro Direto é que ele não terá “marcação a mercado”, mecanismo que faz o valor dos investimentos oscilar diariamente de acordo com as condições econômicas.
Na prática, isso significa que o investidor não verá quedas temporárias no saldo aplicado, situação comum em outros títulos públicos quando há mudanças nos juros ou no cenário econômico.
No Tesouro Reserva, o cálculo seguirá o modelo chamado “marcação na curva”, em que os juros são contabilizados diariamente de forma contínua, tornando o investimento mais estável e previsível para quem acompanha o saldo no aplicativo.
Rendimento superior à poupança
Com a Selic em 14,5% ao ano, o Tesouro Reserva deve render significativamente mais do que a poupança.
Atualmente, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) quando a Selic está acima de 8,5% ao ano. Nos últimos 12 meses, o rendimento da poupança ficou em 7,53%.
Segundo simulações do Tesouro Nacional, uma aplicação de R$ 1 mil no Tesouro Reserva poderia atingir:
- R$ 1.051,23 em seis meses;
- R$ 1.101,82 em um ano;
- R$ 1.207,12 em dois anos.
Os valores representam ganhos superiores aos da poupança no mesmo período.
Outro diferencial é que o rendimento do Tesouro Reserva ocorre diariamente, enquanto a poupança só rende no chamado “aniversário” mensal da aplicação.
Aplicação mínima e limite máximo
O novo título poderá ser adquirido a partir de R$ 1, valor considerado bastante acessível em comparação a outros investimentos financeiros.
O limite máximo de aplicação será de R$ 500 mil por pessoa.
Segundo o governo, a intenção é atrair principalmente pessoas que ainda não investem ou mantêm dinheiro parado na conta corrente.
Movimentação 24 horas por dia
O Tesouro Reserva será o primeiro título público brasileiro com negociação contínua.
Isso significa que aplicações e resgates poderão ser feitos 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive em finais de semana e feriados.
Hoje, o Tesouro Direto funciona apenas em horários específicos dos dias úteis e os resgates costumam levar de um a dois dias úteis para cair na conta do investidor.
A nova plataforma também permitirá movimentações por Pix.
Impostos e taxas
Assim como outros investimentos de renda fixa, o Tesouro Reserva terá cobrança de Imposto de Renda sobre os rendimentos.
A tributação seguirá a tabela regressiva:
- 22,5% para aplicações de até 180 dias;
- 20% entre 181 e 360 dias;
- 17,5% entre um e dois anos;
- 15% para aplicações acima de dois anos.
O imposto incide apenas sobre os lucros, não sobre o valor total investido.
Também haverá cobrança de IOF para resgates feitos nos primeiros 30 dias.
Além disso, aplicações de até R$ 10 mil estarão isentas da taxa de custódia da B3. Acima desse valor, será cobrada taxa anual de 0,20%.
Diferenças em relação à poupança
Apesar de funcionar como concorrente direta da poupança, o Tesouro Reserva possui diferenças importantes.
A principal delas é a rentabilidade, que tende a ser maior em cenários de juros elevados.
Além disso, o rendimento é diário, enquanto a poupança só remunera o investidor no aniversário mensal da aplicação.
Por outro lado, a poupança continua sendo isenta de Imposto de Renda, algo que não acontece no Tesouro Reserva.
Concorrência com bancos e fintechs
O novo produto também deve disputar espaço com investimentos privados como CDBs, LCIs e LCAs.
Em alguns casos, esses produtos podem oferecer rentabilidades superiores, especialmente quando pagam mais de 100% do CDI.
A diferença é que muitos investimentos privados possuem prazos maiores para resgate ou regras mais rígidas de liquidez.
Enquanto aplicações bancárias contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), os títulos públicos possuem garantia direta do governo federal.
Meta do governo
Atualmente, cerca de 3,4 milhões de pessoas investem em títulos públicos no Brasil.
Com o Tesouro Reserva, o governo pretende ultrapassar a marca de 10 milhões de investidores nos próximos anos.
A aposta está na facilidade de acesso, no baixo valor inicial, na liquidez imediata e na experiência semelhante à oferecida pelos aplicativos bancários para atrair novos investidores.
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