Economia • 13:11h • 30 de agosto de 2026
Empresas voltam a buscar mais crédito e pequenas lideram avanço acumulado em 12 meses
Demanda cresceu 9,2% no período encerrado em junho; serviços e agropecuária puxam alta entre os setores, enquanto São Paulo acumula crescimento de 10,7%
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Serasa | Foto: Arquivo/Âncora1
A procura das empresas brasileiras por crédito mantém trajetória de crescimento em 2026. No acumulado de 12 meses até junho, a demanda avançou 9,2%, segundo o Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian. O movimento é disseminado entre empresas de diferentes portes e setores, mas ganha força principalmente entre os pequenos negócios.
As micro e pequenas empresas (MPEs) registraram justamente alta acumulada de 9,2%, acima das grandes empresas, com 7,8%, e das médias, com 7,4%. Na comparação com junho de 2025, porém, o cenário muda: as grandes empresas lideraram o crescimento mensal anual, com avanço de 10%, contra 6,6% das MPEs e 6,2% das médias.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, relaciona a procura elevada ao uso do crédito para sustentar as operações, financiar capital de giro e administrar o fluxo de caixa. Segundo ela, essa necessidade tende a pesar especialmente sobre os pequenos negócios em um cenário no qual os juros continuam elevados.

Serviços e agropecuária puxam procura
Todos os setores analisados apresentaram crescimento no acumulado de 12 meses. Serviços aparece na liderança, com alta de 14%, seguido pela agropecuária, com 13%. A indústria acumula avanço de 7,5% e o comércio, de 5,3%.
Na comparação direta entre junho de 2025 e junho de 2026, a agropecuária assume a dianteira, com crescimento de 14,8%. Serviços aparecem novamente em patamar elevado, com 12%, enquanto indústria e comércio registraram altas de 4,1% e 2,1%, respectivamente.
Considerando todas as empresas, a demanda por crédito em junho ficou 6,6% acima da registrada no mesmo mês de 2025. O resultado também representa uma recuperação importante em relação a maio, quando o crescimento anual havia sido de apenas 0,6%.

São Paulo cresce 10,7% e Rio de Janeiro é exceção
O avanço também alcançou praticamente todo o país. Mato Grosso do Sul liderou o ranking estadual no acumulado de 12 meses, com crescimento de 23,3%, seguido por Roraima, com 21,9%, Paraíba, com 17,3%, Amazonas, com 16,5%, e Tocantins, com 13,6%.
São Paulo aparece com alta de 10,7%, ligeiramente acima do Paraná, com 10,4%, e de Minas Gerais, com 10%. Na outra ponta, o Rio de Janeiro foi o único estado apresentado pelo levantamento com resultado negativo, de 0,4%. Espírito Santo, com 3,3%, e Pernambuco, com 5%, tiveram os menores crescimentos positivos.

Apesar da maior procura, a Serasa Experian aponta que o acesso ao dinheiro continua enfrentando um cenário restritivo. A inadimplência mantém as instituições financeiras mais cautelosas na concessão, enquanto o custo do crédito permanece pressionado pelos juros elevados. Programas apoiados por fundos garantidores podem ampliar as possibilidades de financiamento, mas não eliminam essas condições.
Os números mostram, portanto, duas forças simultâneas: empresas recorrendo mais ao crédito para financiar suas necessidades e um mercado que continua seletivo na hora de liberar os recursos.
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