Economia • 09:09h • 08 de setembro de 2026
Empresas que faturam mais também concentram scores de crédito mais altos, aponta Serasa
Estudo com 27,7 milhões de negócios mostra ainda que Serviços reúne 63,1% das empresas, mas tem faturamento 17% abaixo da média nacional
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Serasa | Foto: Divulgação
Empresas brasileiras com mais de 20 anos de atuação registram faturamento médio de R$ 858,5 mil, mais de sete vezes os R$ 116,9 mil observados entre negócios com até seis meses de existência. O dado faz parte de um estudo da Serasa Experian com 27,7 milhões de empresas ativas na Receita Federal e faturamento estimado de até R$ 4,8 milhões por ano, que também revela diferenças expressivas por setor, região e score de crédito.
A maturidade aparece como um dos fatores que mais diferenciam os negócios. Entre as empresas que faturam até R$ 60 mil, 37,7% têm no máximo seis meses de existência. Já na faixa entre R$ 1 milhão e R$ 4,8 milhões, somente 1,1% são tão recentes, enquanto 19,7% possuem mais de duas décadas de atividade.
O setor de Serviços, apesar de concentrar 63,1% das empresas brasileiras analisadas, apresenta faturamento médio de R$ 332,7 mil, cerca de 17% abaixo da média geral de R$ 402,1 mil. O Financeiro ocupa o extremo oposto: representa apenas 1,5% da base, mas alcança R$ 927,2 mil, quase três vezes a média registrada em Serviços.
Maioria das empresas está nas menores faixas de faturamento
O levantamento mostra que 63,4% dos negócios faturam até R$ 300 mil por ano. Outros 12,1% estão entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, 13,6% entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão e somente 10,9% alcançam a faixa de R$ 1 milhão a R$ 4,8 milhões.
Além do Financeiro, os setores Primário e de Comércio superam a média geral, com faturamentos estimados em R$ 582,7 mil e R$ 567,3 mil, respectivamente. A Indústria registra R$ 389,4 mil e o Terceiro Setor aparece com a menor média entre os segmentos informados, de R$ 286,7 mil.
Segundo Viviane Moura, diretora de serviços de crédito da Serasa Experian, diferenças de setor e estágio de maturidade ajudam a dimensionar a capacidade financeira dos negócios e são relevantes para as análises realizadas por quem concede crédito.
Norte tem maior faturamento médio, apesar de reunir apenas 4,8% das empresas
O recorte geográfico apresenta outro contraste. Embora o Sudeste concentre 51,4% das empresas analisadas, seu faturamento médio, de R$ 395,9 mil, fica abaixo do Norte, Centro-Oeste e Sul.
O Norte lidera com R$ 432 mil, mesmo representando somente 4,8% da base. O Centro-Oeste aparece praticamente empatado, com R$ 431,4 mil, seguido pelo Sul, com R$ 414 mil. O Nordeste registra a menor média regional, de R$ 377,1 mil. Segundo o estudo, o resultado do Norte é influenciado pela maior concentração de Empresas de Pequeno Porte (EPPs) na região.
A distribuição das empresas entre as regiões, entretanto, varia pouco conforme a faixa de faturamento. O Sudeste permanece próximo da metade da base nos diferentes grupos, sinalizando, segundo a análise, menor diferenciação regional do que aquela observada por setor e tempo de existência.

Faturamento maior acompanha melhora no score de crédito
A diferença também aparece no perfil de crédito. Entre empresas com faturamento de até R$ 60 mil, 86,5% têm score de até 500. Na faixa de R$ 1 milhão a R$ 4,8 milhões, essa proporção cai para 51,8%. Consequentemente, a participação com score superior a 500 avança de 13,5% para 48,2%.
O contraste aumenta nos scores acima de 700. Apenas 2,3% das empresas da menor faixa de faturamento atingem esse nível, contra 25,3% entre os negócios que faturam de R$ 1 milhão a R$ 4,8 milhões. A participação é, portanto, cerca de 11 vezes maior no grupo de maior faturamento analisado.
Os dados integram a solução de Faturamento Estimado da Serasa Experian. A nova versão do Faturamento PJ passou a incorporar informações da Central de Recebíveis (CERC), combinando o faturamento estimado ao histórico de recebíveis e a outras informações utilizadas na avaliação de porte e risco de crédito. Os valores apresentados no estudo são estimativas dos modelos utilizados e não correspondem ao faturamento declarado individualmente pelas empresas.
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