Responsabilidade Social • 14:45h • 20 de março de 2026
Emissões de gases caem em 2024, mas meta climática segue em risco
Relatório critica foco quase exclusivo no controle do desmatamento
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
As emissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil caíram 16,7% em 2024, totalizando 2,145 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente, contra 2,576 bilhões em 2023. Trata-se da segunda maior redução desde o início da série histórica, em 1990. Já as emissões líquidas — que consideram a absorção de carbono por vegetação — somaram 1,489 bilhão de toneladas, uma queda de 22%.
Queda ligada ao desmatamento
A principal razão para a redução foi a diminuição do desmatamento, especialmente na Amazônia e no Cerrado. As emissões por mudança de uso da terra caíram 32,5%, com redução em todos os biomas, exceto no Pampa, que teve alta de 6%. Apesar disso, o país ainda está entre os maiores emissores globais por desmatamento.
Impacto dos incêndios
O relatório destaca que os incêndios florestais atingiram, em 2024, o maior nível da série histórica, com emissão de 241 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente. Esses dados não entram no inventário oficial, mas, se fossem considerados, poderiam dobrar as emissões líquidas associadas à mudança de uso da terra.
Outros setores da economia
Nos demais setores, as emissões ficaram estáveis ou cresceram. A agropecuária teve leve queda de 0,7%, enquanto energia (0,8%), processos industriais (2,8%) e resíduos (3,6%) registraram aumento.
Detalhamento por setores
O setor agropecuário emitiu 626 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, com destaque para o metano gerado pela pecuária e o uso de fertilizantes.
O setor de energia foi responsável por 424 milhões de toneladas, incluindo a queima de combustíveis em atividades industriais, transporte e uso doméstico.
Já os processos industriais emitiram 94 milhões de toneladas, principalmente na produção de materiais como cimento e aço.
O setor de resíduos respondeu por 96 milhões de toneladas, com maior impacto dos aterros e do tratamento de esgoto.
Emissões por estado
Estados da Amazônia apresentam emissões per capita elevadas devido à baixa população e alta emissão total. Mato Grosso lidera, com 60 toneladas por habitante. Já estados como São Paulo, Alagoas e Pernambuco têm índices abaixo da média mundial.
No ranking geral, os maiores emissores em 2024 foram Pará, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo.
Projeções e desafios
A projeção para 2025 indica que o Brasil deve ficar acima da meta estabelecida na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). A estimativa é de 1,44 bilhão de toneladas de emissões líquidas, cerca de 9% acima do objetivo.
Especialistas avaliam que o país ainda depende excessivamente da redução do desmatamento para cortar emissões, enquanto setores como energia e indústria precisam avançar mais.
Plano Clima
Como resposta, o governo federal lançou o Plano Clima, que estabelece diretrizes para enfrentar a crise climática. A meta é reduzir entre 59% e 67% das emissões até 2035, em comparação com 2005, e zerar as emissões líquidas até 2050.
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