Ciência e Tecnologia • 09:02h • 05 de junho de 2026
Embrapa cria salmão, caviar e lula vegetais produzidos em impressora 3D
Pesquisa desenvolvida em Brasília reproduz aparência, sabor e valor nutricional de alimentos de origem animal usando ingredientes vegetais e tecnologia de impressão 3D
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Após dois anos e meio de pesquisas, cientistas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia desenvolveram alimentos de origem vegetal produzidos em impressoras 3D capazes de reproduzir a aparência, a textura e o sabor de produtos tradicionalmente obtidos de animais, como filé de salmão, caviar e anéis de lula.
Os protótipos foram criados no Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO), em Brasília, e também apresentam composição nutricional semelhante à dos alimentos originais. Para alcançar esse resultado, os pesquisadores analisaram os principais componentes presentes nas carnes e buscaram alternativas vegetais capazes de reproduzir os mesmos níveis de carboidratos, proteínas e gorduras.
A tecnologia utiliza tintas alimentícias elaboradas com proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos vegetais e de algas, corantes naturais, espessantes e nanoingredientes. Segundo os pesquisadores, muitos desses componentes fazem parte da alimentação cotidiana e podem ser encontrados em preparações domésticas.
Grande parte das matérias-primas utilizadas no desenvolvimento dos alimentos foi obtida nos Bancos Ativos de Germoplasma da Embrapa, que preservam material genético de milhares de espécies vegetais, animais e microrganismos. Esse acervo permite a seleção de ingredientes capazes de reproduzir, com maior fidelidade, as características nutricionais dos alimentos de origem animal.
Tecnologia pode ampliar alternativas alimentares
Além de criar substitutos vegetais para produtos de origem animal, a tecnologia permite enriquecer nutricionalmente os alimentos impressos, tornando-os uma alternativa promissora para combater deficiências alimentares e ampliar o acesso a nutrientes essenciais.
Os pesquisadores destacam ainda que a inovação pode contribuir para reduzir a pressão sobre recursos naturais, diminuir a dependência da pesca predatória e oferecer novas opções para pessoas que optam por não consumir carne ou possuem restrições alimentares.
Os alimentos desenvolvidos pela Embrapa já passaram por testes de degustação autorizados por comitês de ética, mas ainda não há previsão para sua comercialização. A tecnologia segue em fase experimental enquanto são estudados modelos de produção e distribuição, que podem incluir desde impressoras instaladas em restaurantes até a fabricação em escala industrial.
O projeto recebeu apoio financeiro do Good Food Institute (GFI), organização internacional dedicada ao desenvolvimento de proteínas alternativas e novas tecnologias para a produção de alimentos.
Embora a impressão de alimentos ainda seja uma novidade para o mercado brasileiro, a tecnologia já é utilizada comercialmente em países como Austrália, Estados Unidos, Israel e Singapura. No Brasil, universidades e centros de pesquisa também avançam em estudos voltados à produção de alimentos impressos em 3D, ampliando as perspectivas para o setor nos próximos anos
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