• Quantas academias existem em Assis? Levantamento revela crescimento do setor fitness
  • Feira de adoção de cães e gatos acontece neste domingo em Marília
  • Calor de 34ºC marca sexta em Assis; fim de semana pode ter chuva
Novidades e destaques Novidades e destaques

Variedades • 09:18h • 10 de janeiro de 2026

Editorial: A lei que confunde tecnologia com jornalismo

Nova legislação sobre profissionais de multimídia expõe a desvalorização histórica do jornalismo e ameaça a qualidade da informação no Brasil

Da Redação | Foto: Arquivo/Âncora1

Sob o argumento das novas tecnologias, lei ignora formação, método e ética do jornalismo profissional
Sob o argumento das novas tecnologias, lei ignora formação, método e ética do jornalismo profissional

A sanção da Lei nº 15.325/2026, publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira, 7 de janeiro, expõe um problema antigo que o Brasil insiste em empurrar para debaixo do tapete. Ao reconhecer o “profissional de multimídia” como trabalhador multifuncional, apto a criar, produzir, captar, editar, gerir e distribuir conteúdos digitais em múltiplas plataformas, o texto legal avança sobre um terreno sensível e essencial: o do jornalismo profissional.

Assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com chancela dos ministros Luiz Marinho e Margareth Menezes, a lei não nasce do diálogo com a categoria, nem de uma construção técnica com quem regula, estuda e pratica a informação. Nasce de uma generalização perigosa, que confunde ferramentas com ofício, tecnologia com formação, alcance com responsabilidade.

O jornalismo não é apenas “produzir conteúdo”. É método. É técnica. É apuração. É responsabilidade pública. É isenção, quando cabível, e transparência, quando necessária. É saber diferenciar notícia de opinião, crítica de reportagem, entretenimento de informação. É conhecer ética, legislação, checagem, linguagem, contexto e impacto social. Nada disso se improvisa.

Desde o fim dos anos 1990, quando se abriu a porteira para a desobrigação do diploma, a profissão passou a ser sistematicamente desvalorizada. Não por falta de demanda, as salas de aula estavam cheias, inclusive no interior paulista, mas por uma visão míope que tratou o jornalismo como algo que qualquer um poderia fazer. O resultado está aí: cursos fechados, evasão acadêmica, precarização do trabalho e um ecossistema informacional cada vez mais vulnerável à desinformação.

A nova lei aprofunda esse erro histórico. Ao colocar no mesmo pacote profissionais com formação técnica ou superior genérica, sem delimitar competências, sem exigir domínio das técnicas jornalísticas, sem ouvir sindicatos, federações e universidades, o Estado legitima a confusão. E a confusão cobra um preço alto. Quando tudo vira “jornalismo”, nada é jornalismo. E quem paga a conta é a sociedade.

A justificativa de alinhamento às novas tecnologias não se sustenta. Ferramentas mudam, princípios não. A tecnologia é meio, não fim. Autorizar que a lógica do “multifuncional” substitua a formação específica seria o mesmo que permitir que especialistas em tecnologia da informação assinem laudos médicos ou despachos jurídicos porque dominam sistemas avançados. Em nenhuma outra área isso é aceitável. Por que na informação seria?

A própria reação da categoria evidencia o equívoco. A Federação Nacional dos Jornalistas já se manifestou de forma crítica, apontando o risco institucional e social da medida. Não houve escuta. Não houve debate. Houve canetada.

O efeito colateral é devastador. Profissionais sem formação jornalística, ainda que bem-intencionados, acabam produzindo conteúdos sem critérios técnicos, sem rigor, sem compromisso com o interesse público. Isso contamina a percepção sobre o trabalho de quem estudou, se qualificou e atua com responsabilidade. Tudo vira um bolo só, e, nesse bolo, a credibilidade derrete.

Este editorial não é um ataque à tecnologia, nem aos profissionais de multimídia. É uma defesa da informação qualificada. É um alerta contra a normalização do improviso. É um pedido de respeito a uma profissão que sustenta a democracia, fiscaliza o poder, registra a história e informa o cidadão.

Se essa lógica fosse aplicada à saúde, ao direito, à engenharia ou à arquitetura, o absurdo seria evidente. No jornalismo, infelizmente, o desrespeito parece naturalizado. Não deveria.

Informação não é entretenimento qualquer. Informação é serviço público. E serviço público exige preparo, responsabilidade e limites claros. A Lei nº 15.325/2026, do jeito que foi sancionada, não fortalece o ecossistema digital. Ela fragiliza o jornalismo. E, ao fragilizar o jornalismo, fragiliza a própria sociedade.

Fica a crítica. Fica a indignação. E fica a reflexão, que já dura décadas e segue, ainda hoje, engasgada na garganta de quem acredita que informar é coisa séria.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Variedades • 20:41h • 06 de março de 2026

Aclive ou declive? Entenda como a topografia do terreno muda totalmente o projeto da casa

Arquitetos explicam como a inclinação do terreno influencia a casa, o custo da obra e as soluções de arquitetura

Descrição da imagem

Esporte • 19:05h • 06 de março de 2026

Brasil garante vaga na Copa Mundial de Futebol Unificado em Paris

Seleção formada por atletas com e sem deficiência intelectual representará o país na competição da Special Olympics entre 5 e 11 de julho

Descrição da imagem

Cidades • 18:12h • 06 de março de 2026

Quantas academias existem em Assis? Levantamento revela crescimento do setor fitness

Entre musculação, pilates, crossfit e artes marciais, número de espaços dedicados à atividade física cresce e já ultrapassa três dezenas no município

Descrição da imagem

Esporte • 17:32h • 06 de março de 2026

Florínea recebe amistoso de futebol de base contra Tarumã neste sábado

Partida entre as categorias Sub-08, Sub-10 e Sub-12 acontece no Ginásio de Esportes Zuinão a partir das 8h30

Descrição da imagem

Gastronomia & Turismo • 17:02h • 06 de março de 2026

Vai à praia? Saiba como descartar o lixo corretamente e evite multa no litoral paulista

Veja o que é proibido e como agir certo no litoral de SP

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 16:46h • 06 de março de 2026

Feira de adoção de cães e gatos acontece neste domingo em Marília

Evento da Entrevias reúne animais resgatados nas rodovias e busca novos lares para pets já vacinados, castrados e microchipados

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 16:18h • 06 de março de 2026

Espetáculo teatral gratuito será apresentado no Centro Cultural de Palmital; ingressos estão disponíveis

Peça “Trívia”, da Cia. Bambolina, entra em cartaz no dia 27 de março com ingressos disponíveis para retirada antecipada

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 15:33h • 06 de março de 2026

Estudantes de Enfermagem da FEMA participam de ação de saúde na ESF do Parque Universitário

Atividade levou testagens rápidas, aferição de pressão e orientações à comunidade em parceria com equipe da unidade de saúde

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar