Mundo • 16:31h • 05 de setembro de 2026
E-commerce cresce nas favelas, mas endereço e entrega ainda dificultam compras pela internet
Atrasos atingem 60% dos consumidores e problemas de endereçamento chegam a 20%, enquanto potencial de consumo das periferias é estimado em R$ 167 bilhões
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Mention | Foto: Divulgação
O comércio eletrônico já faz parte da rotina de 60% dos moradores de favelas no Brasil, mas a chegada das encomendas ainda encontra obstáculos importantes nesses territórios. Pesquisa nacional Data Favela/CUFA aponta que 60% relatam atrasos nas entregas e 20% enfrentam problemas relacionados ao endereço, um contraste com a expansão acelerada das compras pela internet no país.
Em 2025, o e-commerce brasileiro movimentou R$ 235,5 bilhões, somou 438,9 milhões de pedidos e chegou a 94,2 milhões de compradores online. Nas periferias, o tamanho desse mercado também chama atenção: o estudo Tracking das Favelas estima em R$ 167 bilhões o potencial de consumo dessas regiões.
Os números colocam a logística no centro da disputa por esse consumidor. Endereços de difícil localização, restrições de acesso e questões de segurança exigem modelos diferentes daqueles utilizados em áreas atendidas regularmente pelas redes tradicionais de distribuição.
Endereço ainda é uma das barreiras
Grandes plataformas vêm aumentando suas estruturas para acompanhar o crescimento das vendas online. A Shopee já opera com 16 centros de distribuição, mais de 200 hubs e cerca de 3 mil agências, enquanto o Mercado Livre possui 48 centros de distribuição.
Para Sanderson Pajeú, fundador e CEO da logtech naPorta, especializada em entregas em territórios considerados complexos, ampliar a cobertura exige mais do que aumentar o número de pontos de distribuição. “Ignorar favelas e periferias significa deixar de atender uma parcela fundamental do mercado e, ao mesmo tempo, desperdiçar uma oportunidade econômica relevante”, afirma.
Uma das alternativas desenvolvidas para enfrentar o problema de localização é o chamado CEP Digital, utilizado pela empresa em 100 comunidades. A proposta é facilitar a identificação dos destinos em locais nos quais o sistema convencional de endereçamento representa uma dificuldade para as entregas.
Logística especializada avança nas comunidades
A naPorta informa ter realizado mais de 10 milhões de entregas em cinco anos, com 40% de seu volume concentrado em áreas de risco. Em uma operação com a Shopee, a empresa relata ter alcançado nível de serviço de 98,5% e crescimento de 300%. A logtech também atua em mais de 300 territórios periféricos em operação com a Venancio e desenvolve logística reversa para a Stone em regiões anteriormente não atendidas.
O modelo inclui ainda a contratação de moradores das próprias comunidades, aproveitando o conhecimento local para viabilizar as entregas. A estratégia transforma uma dificuldade logística em possibilidade de geração de renda dentro dos territórios, ao mesmo tempo em que amplia o acesso dos consumidores ao comércio eletrônico.
A empresa prepara expansão para Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná, em um movimento que acompanha um mercado no qual milhões de consumidores já compram pela internet, mas ainda convivem com diferenças significativas na experiência de receber aquilo que adquiriram.
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