Economia • 09:15h • 28 de agosto de 2026
Dívida pública cresce R$ 20 bilhões em um mês e chega a R$ 9,288 trilhões
Estoque avançou R$ 20 bilhões em julho, enquanto reserva para vencimentos atingiu recorde de R$ 1,37 trilhão e títulos ligados à Selic passaram de 51% da dívida
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Arquivo/Âncora1
A Dívida Pública Federal (DPF) aumentou 0,22% em julho e passou de R$ 9,268 trilhões para R$ 9,288 trilhões, crescimento de aproximadamente R$ 20 bilhões em um mês, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira, 26 de agosto. O avanço ocorreu mesmo com o governo resgatando mais títulos do que emitiu no mercado interno, porque a incorporação de R$ 89,95 bilhões em juros ao estoque impediu a redução do endividamento.
A dívida havia ultrapassado R$ 9 trilhões em junho, mas continua abaixo do intervalo projetado pelo governo para o encerramento de 2026. O Plano Anual de Financiamento (PAF), revisado nesta quarta-feira, prevê que o estoque termine o ano entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Para alcançar o piso dessa faixa, a dívida ainda teria de aumentar cerca de R$ 412 bilhões em relação ao nível registrado em julho.
A movimentação do mês ajuda a mostrar o peso dos juros sobre as contas públicas. Na dívida interna, o Tesouro emitiu R$ 198,14 bilhões em títulos e resgatou R$ 260,05 bilhões, diferença de R$ 61,91 bilhões a favor dos resgates. Ainda assim, a Dívida Pública Mobiliária Federal interna cresceu 0,31%, de R$ 8,921 trilhões para R$ 8,948 trilhões.
Selic a 14% aumenta peso dos juros na dívida
A explicação está na apropriação de juros, mecanismo pelo qual o governo reconhece mensalmente a correção incidente sobre os títulos e incorpora esse montante ao estoque da dívida. Somente em julho foram R$ 89,95 bilhões. Com a Selic em 14% ao ano, esse componente exerce maior pressão sobre o endividamento federal.
A influência dos juros elevados também aparece na composição dos títulos. A parcela da dívida vinculada à Selic passou de 49,32% em junho para 51,11% em julho, alta de 1,79 ponto percentual. Dos R$ 198,14 bilhões emitidos no mercado interno durante o mês, R$ 124,11 bilhões estavam vinculados à taxa básica de juros, o equivalente a quase 63% das emissões.
No sentido contrário, a participação dos títulos prefixados caiu de 21,04% para 19,22%, redução de 1,82 ponto percentual. Os papéis corrigidos pela inflação passaram de 25,9% para 26,02%, enquanto aqueles vinculados ao câmbio recuaram de 3,74% para 3,65%.
Reserva para pagar dívida chega ao maior nível da série
Enquanto o estoque aumentou, o chamado colchão da dívida pública cresceu pelo quarto mês consecutivo e alcançou R$ 1,37 trilhão em julho, ante R$ 1,34 trilhão em junho. É o maior valor desde o início da série histórica, em 2015.
Essa reserva funciona como uma proteção financeira para períodos de turbulência ou momentos em que há grande concentração de títulos vencendo. No nível atual, os recursos disponíveis são suficientes para cobrir 7,81 meses de vencimentos.
O volume ganha relevância diante do calendário dos próximos meses. Em 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,76 trilhão em títulos federais. A reserva atual corresponde a cerca de 78% desse montante, embora os recursos não tenham como finalidade eliminar de uma só vez todos os compromissos previstos para o período.
A parcela externa seguiu direção diferente da dívida interna. A Dívida Pública Federal externa caiu 2,12%, passando de R$ 347,71 bilhões em junho para R$ 340,06 bilhões em julho, uma redução de R$ 7,65 bilhões. O principal fator foi a queda de 1,92% do dólar no mês.
O prazo médio da dívida também apresentou pequena melhora, passando de 4,01 para 4,05 anos. O indicador representa o intervalo médio para o refinanciamento dos compromissos e, segundo o Tesouro, prazos maiores estão relacionados a maior confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar suas obrigações.
Entre os detentores da dívida interna, as instituições financeiras permanecem com a maior participação, equivalente a 31,35% do estoque. Fundos de pensão representam 22,73%, fundos de investimentos, 22,23%, e investidores estrangeiros, 9,82%. A participação dos não residentes recuou em relação aos 9,95% registrados em junho, em um mês marcado por maior tensão no mercado financeiro devido à guerra no Oriente Médio.
Por meio da dívida pública, o governo capta recursos de investidores para financiar seus compromissos e se compromete a devolver o dinheiro posteriormente com remuneração. Julho mostrou como esse custo pode influenciar o estoque: mesmo com R$ 61,91 bilhões a mais em resgates do que em emissões no mercado interno, os juros foram suficientes para manter a dívida em trajetória de alta.
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