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Responsabilidade Social • 08:27h • 23 de maio de 2026

Diagnósticos de autismo crescem quase 50% no Brasil e avançam para adolescentes e adultos

Estudo aponta aumento da busca por avaliação, crescimento de diagnósticos tardios e maior complexidade no acompanhamento de pessoas com TEA

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sing Comunicação | Foto: Divulgação

Autismo deixa de ser diagnóstico concentrado apenas na primeira infância, aponta levantamento
Autismo deixa de ser diagnóstico concentrado apenas na primeira infância, aponta levantamento

O número médio de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidas por médicos no Brasil cresceu quase 50% entre 2022 e 2025, segundo levantamento da plataforma de prescrição digital Memed em parceria com a NeuroSteps, especializada em gestão de terapias para autismo.

O estudo mostra não apenas o aumento da procura por diagnóstico, mas também mudanças importantes no perfil dos pacientes e na complexidade do acompanhamento ao longo da vida.

A pesquisa utilizou um indicador chamado “densidade diagnóstica”, que mede quantos pacientes com TEA cada médico atende, em média, ao longo do ano. O índice passou de 9,08 pacientes por profissional em 2022 para 13,61 em 2025, crescimento de 49,9% no período. Outro dado que chamou atenção foi a mudança na idade dos diagnósticos. Embora a infância ainda concentre a maior parte dos casos, crianças entre 6 e 12 anos passaram a liderar os diagnósticos, superando a faixa de 0 a 5 anos.

Em 2022, crianças menores representavam 42,17% dos diagnósticos registrados. Em 2025, esse percentual caiu para 30,13%. Ao mesmo tempo, a participação da faixa entre 6 e 12 anos subiu para 35,15%.

Segundo Hiago Melo, psicólogo, PhD em Neurociências e diretor técnico científico da NeuroSteps, isso não significa que o autismo esteja surgindo mais tarde. “O que vemos é um reconhecimento tardio. Muitos sinais podem passar despercebidos, especialmente em quadros mais leves”, explica.


Diagnósticos em adultos também cresceram

O avanço dos diagnósticos também aparece entre adultos. Pessoas entre 20 e 39 anos já representam 17,88% dos pacientes identificados no levantamento. Já a participação de pessoas acima dos 40 anos praticamente dobrou no período analisado.

De acordo com especialistas, muitos adultos passam anos tratando sintomas isolados sem identificar o quadro de forma completa. Em alguns casos, o diagnóstico de uma criança dentro da família acaba levando pais e parentes a buscarem avaliação.

O estudo também identificou aumento na complexidade do acompanhamento médico. Houve crescimento importante na prescrição de medicamentos voltados ao tratamento de condições associadas ao TEA, como ansiedade, TDAH e distúrbios do sono. Entre os medicamentos analisados, a atomoxetina apresentou crescimento superior a 170% nas prescrições entre 2024 e 2025.

Apesar disso, especialistas reforçam que o tratamento do autismo continua baseado principalmente em terapias comportamentais, educacionais e acompanhamento multidisciplinar. Segundo Hiago Melo, o aumento das prescrições está muito mais ligado ao manejo de condições associadas do que a mudanças no tratamento central do TEA.

Os dados também indicam que o acompanhamento tende a se tornar mais complexo ao longo da vida, com adultos demandando maior volume de suporte terapêutico e medicamentoso.

Para Fábio Tabalipa, diretor médico da Memed, os números mostram uma transformação importante no cenário do autismo no Brasil. “Os dados mostram uma rede médica sob pressão crescente, diagnósticos avançando para novas idades e um acompanhamento cada vez mais complexo”, afirma.

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