Saúde • 12:11h • 16 de agosto de 2026
Diabetes em Assis: 3,8 mil pacientes, 338 mortes e quase 200 amputações em cinco anos
Dados fornecidos pela Prefeitura após questionamentos do vereador Fernando Kiko revelam dimensão da doença no município: seis em cada dez pacientes usam insulina e mais de 63% dos cadastrados têm 60 anos ou mais
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Arquivo/Âncora1
Assis possui 3.867 pacientes com Diabetes Mellitus cadastrados e acompanhados pela rede municipal de Saúde, número equivalente a cerca de 3,7% dos 104 mil habitantes do município, considerando o dado populacional mais recente do IBGE. Entre 2021 e 2025, complicações relacionadas à doença resultaram em 456 internações e 198 amputações. Outro dado chama atenção: 454 pacientes aguardavam consulta com endocrinologista quando as informações foram levantadas.
O diagnóstico da situação foi apresentado pela administração da prefeita Telma Spera em resposta ao Requerimento nº 567/2026, do vereador Fernando Alves de Oliveira, o Fernando Kiko. O parlamentar apresentou 12 questionamentos sobre o perfil dos pacientes, tratamento, complicações, atendimentos e estrutura oferecida pelo município. Os dados estão publicados no Diário Oficial do Município.
Idosos concentram maioria dos casos
Dos 3.867 pacientes acompanhados, 2.464 têm 60 anos ou mais, o equivalente a 63,7% do total. Quando consideradas as pessoas a partir dos 50 anos, são 3.290 pacientes, aproximadamente 85% dos registros.
A doença, entretanto, também está presente entre os mais jovens. Assis acompanha 32 crianças e adolescentes de até 19 anos com diabetes, incluindo uma criança com até 4 anos.
Outro número expressivo está no uso de insulina. Aproximadamente 2.315 pacientes, quase seis em cada dez cadastrados, utilizam insulina fornecida pelo município. A Prefeitura não conseguiu informar quantos possuem diabetes tipo 1 ou tipo 2 porque, segundo a resposta, o PEC e-SUS APS não permite esse filtro.
Amputações, internações e mortes
As complicações relacionadas ao diabetes levaram a 456 internações e 198 amputações entre 2021 e 2025. A Prefeitura não detalhou os tipos de amputação nem apresentou a distribuição anual desses procedimentos.
No mesmo período, o diabetes apareceu como causa principal ou associada em 305 mortes. Foram 64 registros em 2021, 61 em 2022, 66 em 2023, 55 em 2024 e 59 em 2025. Outros 33 foram contabilizados até 30 de junho deste ano, elevando o total para 338 óbitos desde 2021. Isso não significa que a doença tenha sido a causa principal em todos os casos, já que o levantamento também considera causas associadas.
Rede realizou quase 29 mil atendimentos
O volume de assistência também ajuda a dimensionar o impacto do diabetes na saúde pública de Assis. Foram 10.360 atendimentos médicos em 2024 e 13.200 em 2025. Até maio deste ano, outros 5.187 haviam sido realizados, totalizando 28.747 atendimentos no período informado.
A Prefeitura apontou ainda gastos de R$ 644,1 mil em 2024, R$ 714,3 mil em 2025 e R$ 486,5 mil em 2026 com medicamentos, insulinas, tiras reagentes e outros insumos relacionados ao tratamento. Somados, os valores apresentados chegam a aproximadamente R$ 1,84 milhão.
Apesar da dimensão dos números, Assis não possui atualmente um estudo epidemiológico municipal específico sobre diabetes. Segundo a administração, são seguidos os protocolos do Ministério da Saúde, além das ações desenvolvidas pela Atenção Básica e demais unidades da rede.
O levantamento provocado por Fernando Kiko reúne, assim, números que ajudam a dimensionar uma doença presente na rotina de milhares de moradores: são 3.867 pacientes acompanhados, quase 200 amputações em cinco anos e centenas de pessoas aguardando atendimento especializado, além de uma população majoritariamente acima dos 50 anos entre os diagnosticados.
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