Saúde • 15:51h • 25 de maio de 2026
Diabetes afeta saúde emocional de 7 em cada 10 brasileiros, aponta pesquisa
Estudo mostra aumento da ansiedade, sensação de isolamento e impacto na rotina de pacientes; especialistas defendem ampliação do acesso a tecnologias de monitoramento
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Conviver com diabetes vai muito além do controle da glicose. Uma pesquisa internacional revelou que sete em cada dez brasileiros com a doença afirmam que ela afeta de forma significativa o bem-estar emocional. O levantamento também mostra que 78% convivem com ansiedade ou preocupação em relação ao futuro, enquanto dois em cada cinco pacientes relatam sentir solidão ou isolamento por causa da condição.
Os dados fazem parte de um estudo realizado pelo Global Wellness Institute (GWI), em parceria com a Roche Diagnóstica, com mais de 4,3 mil pessoas em 22 países. No Brasil, participaram cerca de 20% dos entrevistados.
Entre os pacientes com diabetes tipo 1, o impacto emocional é ainda maior: 77% afirmam que a doença interfere diretamente na saúde mental e na qualidade de vida.
O diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou pela má absorção de insulina, hormônio responsável pelo controle da glicose no sangue. Quando não controlada, a condição pode provocar complicações no coração, rins, olhos, nervos e vasos sanguíneos.
Segundo o Atlas Global do Diabetes 2025, da International Diabetes Federation (IDF), o Brasil ocupa atualmente a sexta posição no ranking mundial de casos da doença, com cerca de 16,6 milhões de adultos diagnosticados.
Impactos na rotina e busca por mais previsibilidade
A pesquisa mostra que o diabetes interfere diretamente no cotidiano dos pacientes. Mais da metade dos entrevistados afirmou que a doença limita a capacidade de passar o dia fora de casa, enquanto 46% disseram enfrentar dificuldades em situações comuns, como trânsito intenso ou reuniões longas.
Outro dado que chama atenção é o impacto no sono: 55% relatam não acordar plenamente descansados devido às variações glicêmicas durante a noite.
Apesar dos avanços nos tratamentos, muitos pacientes ainda não se sentem plenamente amparados pelo modelo atual de cuidado. Apenas 35% afirmam ter muita confiança no gerenciamento da própria condição.
O estudo também aponta um forte interesse por tecnologias mais inteligentes no acompanhamento da doença. Cerca de 44% dos entrevistados defendem a ampliação do uso de ferramentas capazes de prever alterações nos níveis de glicose para evitar complicações.
Entre os pacientes que ainda utilizam métodos tradicionais, como testes de ponta de dedo e glicosímetros, 46% acreditam que sensores de monitoramento contínuo deveriam ser mais acessíveis por funcionarem como alertas preventivos.
Mais da metade dos participantes afirmou que gostaria de contar com sensores equipados com inteligência artificial capazes de prever tendências futuras da glicose. Entre pacientes com diabetes tipo 1, esse número sobe para 68%.
Segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o endocrinologista André Vianna, o monitoramento contínuo representa um avanço importante principalmente para pacientes com diabetes tipo 1.
De acordo com ele, os sensores permitem identificar rapidamente se a glicose tende a subir ou cair nas próximas horas, possibilitando ações preventivas antes que ocorram crises.
O especialista também destaca que o uso dessas tecnologias pode reduzir internações, idas ao pronto-socorro e complicações relacionadas ao diabetes, além de melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Atualmente, os sensores são mais comuns entre pessoas com maior poder aquisitivo no Brasil. No Sistema Único de Saúde (SUS), entretanto, ainda não houve incorporação ampla desses dispositivos.
Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde decidiu não incluir no SUS o monitoramento contínuo de glicose por escaneamento intermitente para pacientes com diabetes tipos 1 e 2.
Já na Câmara dos Deputados, um projeto de lei aprovado em comissão prevê o fornecimento gratuito desses aparelhos pelo SUS. A proposta ainda precisa passar por novas etapas de tramitação antes de virar lei.
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