Responsabilidade Social • 21:01h • 29 de janeiro de 2026
Dia Nacional da Visibilidade Trans expõe preconceito persistente no mercado de trabalho
Pesquisa aponta que 61% da população LGBTQIA+ ainda percebem discriminação de empresas na hora da contratação
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Press FC | Foto: Divulgação
Celebrado nesta quinta-feira, 29 de janeiro, o Dia Nacional da Visibilidade Trans volta a chamar atenção para a desigualdade estrutural enfrentada por pessoas trans no Brasil, especialmente no acesso ao mercado de trabalho. Apesar de avanços pontuais em discursos institucionais, dados recentes indicam que o preconceito segue presente na prática cotidiana das organizações.
Levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) aponta que pelo menos 80 pessoas trans foram assassinadas no Brasil em 2025. Embora o número represente queda em relação a 2024, quando foram registradas 122 mortes, o país permanece entre os mais violentos do mundo para essa população. O cenário de violência física se soma a outras formas de exclusão social, incluindo dificuldades de acesso ao emprego formal.
No campo profissional, a percepção de discriminação é elevada. Segundo o estudo Oldiversity, desenvolvido pela Croma Consultoria, 61% das pessoas LGBTQIA+ afirmam sentir preconceito por parte das empresas no momento da contratação. Entre transexuais e travestis, essa barreira contribui para a manutenção de estigmas e para a concentração em atividades informais ou marginalizadas, o que dificulta o acesso a direitos básicos como saúde, educação e segurança.
Visibilidade Trans: maioria da comunidade LGBTQIA+ ainda vê discriminação nas empresas
Para Edmar Bulla, idealizador do estudo, a exclusão no mercado de trabalho é um dos principais fatores que sustentam a desigualdade. Segundo ele, a experiência direta da discriminação segue mais intensa entre quem faz parte da comunidade, revelando barreiras concretas no acesso a oportunidades e espaços profissionais.
Apesar desse quadro, há sinais de expectativa por mudança
O levantamento mostra que 54% das pessoas entrevistadas acreditam que marcas e empresas vêm se adequando para atender às demandas do público LGBTQIA+. Ainda assim, especialistas apontam que ações efetivas precisam substituir discursos genéricos. A percepção de avanço convive com a constatação de que a inclusão plena ainda não se tornou realidade no cotidiano das organizações.
Essa distância entre discurso e prática também se reflete nas relações de consumo. De acordo com o estudo, 77% das pessoas LGBTQIA+ afirmam considerar marcas que abraçam a diversidade em decisões futuras de compra, enquanto 74% dizem nutrir admiração por empresas que adotam posicionamentos inclusivos. Ao mesmo tempo, o público se mostra mais crítico: 75% desejam ver mais propagandas com elementos de diversidade, mas apenas 37% acreditam que as campanhas atuais são autênticas.
Mercado de trabalho segue excludente para pessoas trans, aponta pesquisa
A exigência vai além da publicidade
Entre as expectativas apontadas, 45% dos consumidores LGBTQIA+ gostariam de ser atendidos por profissionais treinados para interagir de forma respeitosa, 49% demonstram interesse em serviços especiais e 46% em produtos e serviços personalizados. O estudo também revela que 62% dos brasileiros e 72% da comunidade LGBTQIA+ deixam de consumir produtos de marcas associadas a comportamentos preconceituosos.
Segundo Edmar Bulla, a autenticidade permanece como o ponto mais sensível para as empresas. A desconfiança em relação ao discurso corporativo representa risco real de rejeição e até de boicote. No Dia Nacional da Visibilidade Trans, os dados reforçam que a diversidade deixou de ser um diferencial simbólico e passou a ser um critério decisivo para inclusão social, relevância econômica e credibilidade institucional.
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