Educação • 07:21h • 11 de agosto de 2026
Dia do Estudante muda de perfil: adultos voltam às salas de aula para transformar a carreira
Celebrado nesta terça-feira, 11 de agosto, Dia do Estudante também representa quem concilia emprego, família e formação; 15,1% dos brasileiros ocupados também estudavam em 2025
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O Dia do Estudante, celebrado nesta terça-feira, 11 de agosto, já não cabe mais naquela imagem tradicional de adolescentes e jovens universitários começando a vida profissional. Cada vez mais, estudar faz parte da rotina de brasileiros que já trabalham, têm família, acumulam responsabilidades e, mesmo assim, decidiram voltar aos livros para conquistar um diploma, mudar de profissão ou abrir novas possibilidades na carreira.
Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), do IBGE, 15,1% das pessoas ocupadas também estudavam em 2025. Em 2019, eram 13,1%.
O avanço revela uma mudança importante: estudar deixou de ser necessariamente uma etapa que antecede o trabalho. Para uma parcela crescente da população, as duas coisas acontecem ao mesmo tempo e podem se repetir em diferentes momentos da vida.
Trabalho durante o dia, estudo quando a rotina permite
Para Tiago Zanolla, engenheiro de produção e fundador da UFEM Educacional, o próprio significado do Dia do Estudante mudou.
“O Dia do Estudante passou a representar pessoas de todas as idades. Hoje encontramos profissionais que trabalham em período integral, cuidam da família e voltam a estudar porque entenderam que o conhecimento deixou de ter prazo de validade. A educação acompanha toda a trajetória profissional”, afirma.
É um estudante diferente daquele que durante décadas ocupou o imaginário associado à data. Pode ser alguém fazendo a primeira graduação depois dos 30 ou 40 anos, concluindo uma formação interrompida no passado, buscando uma especialização ou estudando para ingressar em uma profissão completamente diferente.
E essa transformação também aparece dentro do ensino superior.
EAD ajuda a explicar uma mudança histórica
Dados do Censo da Educação Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que o Brasil passou, pela primeira vez, a registrar mais estudantes matriculados em cursos de graduação na modalidade de educação a distância do que no ensino presencial.
A flexibilidade ajuda a atender justamente quem não consegue organizar a vida em torno de horários tradicionais de aula.
Para quem trabalha em período integral ou precisa dividir o dia entre profissão, filhos, casa e outras responsabilidades, a possibilidade de estudar remotamente amplia as alternativas para continuar a formação.
“A tecnologia eliminou uma das maiores barreiras da educação: a necessidade de escolher entre trabalhar e estudar. Hoje, o aluno consegue adaptar a formação à própria rotina e manter a evolução profissional sem interromper a carreira”, avalia Zanolla.
Nunca é tarde para ser estudante novamente
Existe ainda outro grupo representado neste 11 de agosto: brasileiros que não tiveram a possibilidade de estudar quando eram mais jovens.
“Existe uma geração inteira que não teve oportunidade de estudar no momento esperado. Agora essas pessoas voltam para concluir o ensino médio, fazer a primeira faculdade ou até iniciar uma nova profissão”, destaca Zanolla.
Nesse cenário, voltar a estudar não significa necessariamente retomar uma trajetória interrompida. Para muitos profissionais, significa começar outra.
Transformações tecnológicas, novas profissões e mudanças nas exigências do mercado também fizeram da qualificação um processo que dificilmente termina com a entrega do primeiro diploma.
Estudar também virou estratégia profissional
A educação continuada ganha importância à medida que profissionais permanecem mais tempo no mercado e precisam acompanhar transformações cada vez mais rápidas em suas áreas.
Isso inclui desde cursos de curta duração e especializações até uma segunda graduação ou uma formação completamente diferente daquela escolhida no início da vida adulta.
O movimento também muda uma pergunta bastante comum. Em vez de “qual é a idade certa para estudar?”, a realidade de milhões de brasileiros mostra que talvez faça mais sentido perguntar qual formação corresponde ao momento profissional vivido por cada pessoa.
E é justamente por isso que o Dia do Estudante desta terça-feira não pertence apenas a quem carrega mochila para a escola ou está vivendo os primeiros semestres da faculdade.
Ele também é de quem fecha o expediente e abre o computador para assistir a uma aula, estuda depois que os filhos dormem, retorna à faculdade anos depois de ter parado ou decidiu que ainda há tempo para começar uma profissão completamente nova.
O perfil mudou, mas a essência da data permanece. Ser estudante deixou de representar uma idade e passou, cada vez mais, a representar uma escolha que pode acompanhar diferentes fases da vida.
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