Educação • 18:36h • 11 de agosto de 2026
Dia do Estudante: EAD leva brasileiros de volta à faculdade depois dos 30, 40 e 50 anos
No Dia do Estudante, pesquisa com mais de 10 mil alunos e formados mostra que 53% dos estudantes ativos da graduação a distância têm entre 30 e 49 anos e mais da metade relata algum avanço profissional
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Weber | Foto: Arquivo/Âncora1
O Dia do Estudante, celebrado nesta terça-feira, 11 de agosto, também ajuda a revelar uma transformação importante no ensino superior brasileiro. A graduação deixou de ser um projeto concentrado apenas no começo da vida adulta. Aos 30, 40, 50 e até depois dos 60 anos, brasileiros estão recorrendo ao ensino a distância (EAD) para buscar promoção, mudar de profissão, melhorar a renda ou simplesmente realizar o antigo desejo de conquistar um diploma.
Essa mudança aparece na pesquisa “Empregabilidade e Carreira na Graduação EaD”, realizada pela Vitru Educação, controladora das marcas UNIASSELVI e UniCesumar. O levantamento ouviu 8.445 alunos ativos e 2.025 egressos, totalizando 10.470 participantes, e mostra um público fortemente ligado à vida adulta e às responsabilidades que acompanham essa fase.
Entre os estudantes ativos, 53% têm de 30 a 49 anos. Entre aqueles que já concluíram a graduação, são 56%. E existe outro dado que ajuda a entender por que a flexibilidade pesa nessa escolha: 85% dos alunos e 84% dos egressos têm pelo menos um dependente em casa.
Mais da metade percebeu movimento na carreira
A pesquisa, realizada no segundo semestre de 2025, também procurou identificar o que aconteceu profissionalmente durante ou depois da formação.
Entre os estudantes ativos, 52% relataram algum movimento na carreira. Foram consideradas situações como conquista do primeiro emprego ou estágio, efetivação, mudança de emprego ou cargo, aprovação em concurso público, promoção ou aumento salarial.
Entre os egressos, o percentual chega a 55%.
O levantamento dialoga com dados do IBGE citados pela pesquisa, segundo os quais trabalhadores com ensino superior completo chegam a apresentar rendimento médio 126% superior ao daqueles que possuem apenas o ensino médio.
Para Sara Pedrini Martins, vice-presidente Acadêmica da Vitru, a educação a distância ganhou relevância justamente por alcançar um perfil que muitas vezes já possui emprego e família.
“A educação a distância é um vetor de mobilidade e ascensão profissional de extrema relevância, sobretudo para o trabalhador adulto”, afirma.
Aos 30, o diploma entra no meio de uma rotina já construída
A faixa entre 30 e 39 anos representa 29% dos estudantes ativos e 30% dos egressos pesquisados.
São pessoas que, em muitos casos, já construíram uma trajetória profissional e procuram qualificação para assumir novas responsabilidades, melhorar a remuneração ou consolidar a posição conquistada no mercado.
É também uma fase marcada pela necessidade de conciliar diferentes responsabilidades. Entre os participantes dessa faixa analisados pelo estudo, 68% possuem de um a três dependentes.
Nesse contexto, a graduação precisa disputar espaço na agenda com emprego, filhos, contas e compromissos cotidianos. A flexibilidade do EAD passa, portanto, a ser um dos elementos que tornam possível encaixar novamente o estudo na rotina.
Depois dos 40, estudar pode significar começar outra vez
Entre 40 e 49 anos estão 24% dos alunos ativos e 26% dos egressos da pesquisa.
Nesse grupo, a graduação aparece também como instrumento de requalificação profissional. É o momento em que alguém com anos de experiência pode perceber mudanças profundas em sua área, enfrentar novas exigências tecnológicas ou decidir que chegou a hora de construir outra trajetória.
O estudo cita levantamento da Robert Half segundo o qual mais de 60% dos profissionais brasileiros consideram uma transição de carreira.
Já nesse cenário, voltar a estudar não representa necessariamente recuperar um tempo perdido. Pode significar adquirir conhecimentos para permanecer competitivo em uma profissão que mudou ou preparar a entrada em uma área completamente diferente.
Aos 50, diploma também pode realizar um projeto antigo
Os estudantes entre 50 e 59 anos correspondem a 10% dos alunos ativos e 13% dos egressos ouvidos.
Nessa etapa, a formação superior aparece tanto como ferramenta profissional quanto como projeto de realização pessoal.
Uma segunda carreira, um empreendimento ou a possibilidade de finalmente estudar uma área pela qual sempre houve interesse podem levar alguém novamente à graduação décadas depois de ter entrado no mercado de trabalho.
A pesquisa relaciona esse movimento também ao empreendedorismo. Dados do Global Entrepreneurship Monitor citados no levantamento indicam que mais de 12% dos donos de negócios brasileiros estão na faixa dos 55 aos 64 anos.
E depois dos 60? O crescimento chama atenção
Eles ainda representam uma parcela pequena da amostra, 3% dos estudantes ativos e 3% dos egressos, mas carregam um dos dados mais expressivos apresentados no levantamento.
Segundo informações do Censo da Educação Superior, do Inep, citadas pela pesquisa, a presença de estudantes com mais de 60 anos no EAD cresceu mais de 670% na última década.
Nesse grupo, estudar pode continuar relacionado à profissão, mas também ganha espaço como aprendizagem permanente, realização pessoal e construção de novos projetos.
O fenômeno reforça o conceito de lifelong learning, ou aprendizado ao longo da vida.
O estudante brasileiro não tem mais uma idade definida
Os dados ganham um significado especial neste 11 de agosto. Se durante muito tempo a trajetória considerada convencional era estudar primeiro para trabalhar depois, a expansão do EAD ajudou a embaralhar definitivamente essa ordem.
Agora, trabalho, formação, família e mudanças profissionais frequentemente acontecem ao mesmo tempo.
O estudante pode ter 20 anos e procurar o primeiro emprego, mas também pode ter 38 e buscar uma promoção, 47 e preparar uma transição profissional, 55 e planejar um negócio ou mais de 60 e finalmente iniciar aquela graduação que ficou décadas esperando.
Neste Dia do Estudante, o crescimento desse público mostra justamente isso: o diploma pode chegar em diferentes momentos da vida, porque estudar já não tem uma idade para começar ou recomeçar.
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