Saúde • 13:01h • 27 de agosto de 2026
Depois da EMS, Germed tem semaglutida genérica aprovada; cresce disputa pelo preço das canetas
Versão produzida pela Germed chega uma semana após aprovação do primeiro genérico; pela legislação brasileira, medicamentos genéricos devem custar pelo menos 35% menos que os de referência
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CFF | Foto: Divulgação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na segunda-feira, 24 de agosto, o registro do segundo medicamento genérico de semaglutida sintética no Brasil. Produzido pela Germed Farmacêutica, o produto amplia a concorrência no mercado dominado por medicamentos de referência como Ozempic e Wegovy e chega com expectativa de redução de preços para os consumidores que utilizam tratamentos à base desse princípio ativo.
A autorização ocorre apenas uma semana depois da aprovação do primeiro genérico de semaglutida sintética no país, produzido pela EMS. Com dois laboratórios brasileiros autorizados a oferecer versões genéricas, o mercado passa a contar com novas alternativas aos produtos da Novo Nordisk.
A diferença de preço pode ser significativa. Pela legislação brasileira, os medicamentos genéricos devem chegar ao mercado com preço pelo menos 35% inferior ao produto de referência. A concorrência entre fabricantes também acrescenta um novo componente a um segmento que registrou forte crescimento da demanda nos últimos anos.
Semaglutida atua na glicose e na sensação de saciedade
A semaglutida pertence à classe dos análogos de GLP-1, hormônio relacionado ao controle da glicose e à sensação de saciedade. A substância é utilizada no tratamento do diabetes mellitus tipo 2 e também passou a ocupar espaço nos tratamentos para obesidade.
O aumento da procura transformou os medicamentos dessa categoria em um dos segmentos mais disputados da indústria farmacêutica. Ozempic e Wegovy, ambos produzidos pela dinamarquesa Novo Nordisk, estão entre as principais referências associadas à semaglutida.
Com a entrada dos genéricos, pacientes passam a ter novas opções produzidas por outros laboratórios. A aprovação regulatória, entretanto, não altera a necessidade de acompanhamento médico nem as exigências estabelecidas para a compra do medicamento.
Novo produto chegará às farmácias como “semaglutida”
Diferentemente dos medicamentos de referência, a versão da Germed não terá nome comercial. A embalagem será identificada como “semaglutida” e terá a faixa amarela característica dos genéricos, com a letra “G” e a identificação “Medicamento Genérico”.
A Anvisa autorizou quatro apresentações em canetas aplicadoras preenchidas, com volumes de 1,5 ml, 3 ml e 6 ml. As opções variam conforme a duração do tratamento e incluem embalagens acompanhadas de seis a oito agulhas descartáveis.
A chegada de mais uma fabricante ao segmento ocorre em um intervalo curto: em apenas uma semana, o Brasil passou de nenhuma para duas versões genéricas de semaglutida sintética aprovadas pela agência reguladora.
Compra exige receita em duas vias
A semaglutida não poderá ser adquirida livremente nas farmácias. A venda exige receita médica em duas vias, sendo que uma delas deve permanecer retida no estabelecimento e a outra, depois de carimbada, fica com o paciente.
A exigência se aplica às diferentes apresentações do medicamento, independentemente da finalidade clínica para a qual tenha sido prescrito.
Para quem acompanha os preços das chamadas canetas, a entrada do segundo genérico amplia a expectativa de medicamentos mais acessíveis. A redução efetivamente encontrada nas farmácias dependerá dos preços praticados quando as novas versões chegarem ao consumidor, mas o piso legal dos genéricos já estabelece uma diferença mínima de 35% em relação ao medicamento de referência.
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