Variedades • 17:06h • 26 de maio de 2026
Dengo, axé e samba: conheça palavras africanas no dia a dia do Brasil
Expressões do cotidiano revelam influência da África na língua
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
O vocabulário usado diariamente pelos brasileiros guarda forte influência de línguas africanas, principalmente dos troncos banto e iorubá. Muitas palavras presentes na fala popular, na culinária, na música e nas relações afetivas têm origem africana e seguem vivas na cultura do país.
O Dia da África é celebrado em 25 de maio, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em referência à criação da Organização da Unidade Africana (OUA), em 1963.
O babalaô e pesquisador Ivanir dos Santos destaca algumas expressões africanas incorporadas ao português brasileiro:
- Aluá: bebida fermentada
- Axé: energia, força vital ou saudação
- Bagunça: desordem, confusão
- Berimbau: instrumento musical de corda
- Bunda: nádegas
- Caçula: filho mais novo
- Cafuné: carinho na cabeça
- Dengo: manha ou carência
- Fubá: farinha de milho
- Moleque: menino
- Quitanda: pequeno comércio ou mercado
- Samba: gênero musical e dança
- Xodó: pessoa muito querida
Ivanir é reconhecido pela atuação em defesa dos direitos humanos e no combate ao racismo e à intolerância religiosa.
Influência africana no português brasileiro
O filólogo e linguista Ricardo Stavola Cavaliere, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), explica que o português falado no Brasil possui um amplo conjunto de palavras africanas ligadas à culinária, música, fauna e relações familiares.
Entre os exemplos estão termos como vatapá, dendê, moqueca e farofa, além de palavras ligadas à música, como berimbau e cuíca. Segundo ele, muitas dessas expressões mantiveram o significado original, embora algumas tenham passado por adaptações ao longo do tempo.
O professor destaca ainda palavras usadas em contextos afetivos e familiares, como “dengo”, relacionada ao carinho, e “caçula”, usada para identificar o filho mais novo. Já “cafuné”, originária do quimbundo, representa o gesto de acariciar a cabeça.
As primeiras influências vieram principalmente das línguas quimbundo, umbundo e quicongo, trazidas ao Brasil durante o período do tráfico de pessoas escravizadas. A partir do século 18, cresceu também a presença de palavras ligadas ao tronco iorubá, especialmente em tradições religiosas de matriz africana, como o candomblé.
O pesquisador angolano Geovany Fernandes-Cattuco também destaca palavras que vieram das línguas africanas e passaram a integrar o português brasileiro. Entre elas estão “muvuca”, “capanga”, “babá”, “beleléu” e “caçamba”.
Para o professor Augusto Ribeiro, a herança africana vai muito além do vocabulário. Segundo ele, a presença negra moldou a cultura brasileira e segue viva na forma como os brasileiros falam, convivem e se expressam.
Já o linguista Gilvan Muller de Oliveira defende que o Dia da África deve reforçar a relação atual entre Brasil e países africanos, valorizando intercâmbios culturais, educacionais e históricos. Ele destaca a importância de ampliar o conhecimento sobre a África contemporânea e fortalecer a cooperação entre universidades e instituições dos dois lados do Atlântico.
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