Gastronomia & Turismo • 17:17h • 17 de agosto de 2026
De fortes do século XVI a casarões do café: sete cidades de SP para viajar pela história
Roteiro reúne patrimônios desde o século XVI, antigos engenhos, fazendas de café, museus e centros históricos que ajudam a contar diferentes períodos da formação paulista e brasileira
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Setur SP | Foto: Leiz Lima
Fortificações erguidas ainda no século XVI, engenhos de açúcar, casarões do ciclo do café, igrejas, museus e centros históricos inteiros transformam sete cidades paulistas em destinos para conhecer parte da formação do Brasil fora dos livros. No Dia do Patrimônio Histórico Nacional, celebrado em 17 de agosto, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) reúne atrações de São Paulo, Bertioga, São Luiz do Paraitinga, Santos, Santana de Parnaíba, Bananal e Iguape que preservam construções e acervos de diferentes períodos históricos.
O roteiro atravessa aproximadamente cinco séculos. Há desde locais associados aos primeiros anos da colonização até edificações ligadas à expansão do café no século XIX, passando pela produção açucareira, pela presença jesuíta, pelas expedições para o interior e por acontecimentos políticos que marcaram o Estado.
Parte desse patrimônio continua integrada à vida das cidades. Em alguns destinos, ruas inteiras preservam fachadas e traçados antigos; em outros, construções históricas foram transformadas em museus, espaços culturais, atrações turísticas e até hospedagens.
Bertioga guarda uma das primeiras fortificações do Brasil
Um dos exemplares mais antigos está no litoral. O Forte São João, em Bertioga, teve sua primeira estrutura levantada em madeira em 1536, quando era conhecido como Forte São Tiago. Quinze anos depois, foi reconstruído em alvenaria e utilizado na defesa do território.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o forte também está ligado à passagem do padre José de Anchieta, que chegou a pernoitar no local. Atualmente, é administrado pela Prefeitura de Bertioga, fica na Avenida Vicente de Carvalho e possui entrada gratuita.
Em Santos, outro endereço leva aos primeiros ciclos econômicos da colonização. O Engenho dos Erasmos, na Vila São Jorge, foi um dos primeiros engenhos de açúcar construídos no Brasil, por ordem de Martim Afonso de Sousa, no século XVI. Administrado pela USP, o sítio arqueológico recebe visitas gratuitas de terça-feira a sábado, mediante agendamento.
Da fundação de São Paulo à Revolução de 1932
Na capital, diferentes atrações permitem percorrer períodos bastante distintos. O Páteo do Collegio remonta à atuação dos jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta e à fundação da Vila de São Paulo de Piratininga, em 1554. O espaço possui maquete da antiga vila, mapas históricos e acervo relacionado aos jesuítas.
A Casa do Bandeirante, no Butantã, preserva uma construção dos séculos XVII e XVIII relacionada ao período das expedições e da ocupação do interior paulista. Já o Museu do Ipiranga concentra acervos associados à Independência e a diferentes momentos da história brasileira, incluindo a obra “Independência ou Morte”, de Pedro Américo.
A viagem histórica chega ao século XX no Obelisco do Ibirapuera. Com 72 metros de altura, o monumento está relacionado à Revolução Constitucionalista de 1932 e abriga os restos mortais de mais de 700 combatentes.
Cidades inteiras preservam a arquitetura de outros séculos
Em São Luiz do Paraitinga, a cerca de 176 quilômetros da capital, o próprio Centro Histórico está entre as atrações. O conjunto tombado pelo IPHAN preserva fachadas alinhadas e coloridas características da arquitetura dos séculos passados. A Matriz e a Casa Oswaldo Cruz estão entre os pontos de visitação.
Santana de Parnaíba, a aproximadamente 42 quilômetros de São Paulo, possui mais de 200 edificações tombadas em seu Centro Histórico. Estabelecida por volta de 1580, a cidade conserva um dos principais conjuntos arquitetônicos coloniais paulistas. Próximo à Matriz está o Museu Anhanguera, com acervo relacionado à história bandeirante.
No litoral sul, Iguape reúne ruas estreitas, calçamento de paralelepípedos e um amplo conjunto de casarios coloniais. Entre os destaques está o Museu Municipal, instalado em espaço relacionado à primeira Casa de Fundição do país, de 1630. A cidade também abriga a Basílica, de 1780, além das igrejas de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
Bananal preserva marcas do ciclo do café
No Vale do Paraíba, Bananal guarda construções ligadas principalmente à expansão cafeeira entre 1830 e 1880. Localizada na Serra da Bocaina e próxima à divisa com o Rio de Janeiro, a cidade cresceu em torno das fazendas que participaram de um dos períodos de maior importância econômica da região.
A Fazenda Boa Vista, fundada em 1780 e atualmente utilizada como hotel-fazenda, está entre esses patrimônios. O imóvel também serviu de cenário para produções televisivas como “Cabocla”, “Sinhá Moça” e “Saramandaia”.
A antiga estação ferroviária, a Pharmácia Popular, apontada como a mais antiga ainda em funcionamento no Brasil, e o próprio Centro Histórico completam o conjunto de atrações sugeridas pela Setur-SP.
Data chama atenção para a preservação do patrimônio
Celebrado nesta segunda-feira, 17 de agosto, o Dia do Patrimônio Histórico Nacional homenageia Rodrigo Melo de Andrade, nascido na mesma data, em 1898. O historiador teve papel central na consolidação das políticas brasileiras de preservação cultural e foi o primeiro presidente do IPHAN, permanecendo à frente do instituto entre 1937 e 1967.
Mais do que conservar construções antigas, a preservação permite manter acessíveis registros materiais de diferentes momentos da formação do país. Nos sete destinos paulistas selecionados, essa história permanece espalhada por fortalezas, fazendas, museus, igrejas, praças e ruas que continuam abertas à visitação.
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