Educação • 14:13h • 17 de agosto de 2026
De avaliações frequentes a menos burocracia: o que está por trás do avanço da educação no Paraná
Estado ficou acima da média brasileira em todas as etapas da educação básica em 2025; avaliações frequentes, formação, infraestrutura, gestão e maior foco pedagógico estão entre as estratégias adotadas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Central Press | Foto: Divulgação
O Paraná chegou a 2025 como o único estado brasileiro a liderar simultaneamente o Ideb e o Saeb em todas as etapas da educação básica pública. No Ideb, alcançou 6,9 nos anos iniciais do Ensino Fundamental, 5,8 nos anos finais e 5,1 no Ensino Médio, resultados superiores às médias brasileiras de 6,1, 5,0 e 4,3, respectivamente. O desempenho é associado a um conjunto de políticas desenvolvidas ao longo dos últimos anos, que inclui acompanhamento contínuo da aprendizagem, formação profissional, investimentos em tecnologia e infraestrutura e mudanças na gestão das escolas.
A vantagem sobre a média nacional é de 0,8 ponto nas três etapas analisadas. No Ensino Médio, historicamente um dos principais desafios da educação brasileira, o Paraná tornou-se a única rede estadual a superar a marca de 5,0, chegando a 5,1 diante de uma média nacional de 4,3.
Outro movimento aparece na comparação entre os ensinos público e privado. Em dois anos, a diferença no Ideb dos anos iniciais caiu de 1,1 para 0,5 ponto, redução de aproximadamente 55%. No Ensino Médio, passou de 1,2 para 0,8 ponto, queda de 33%. Os números indicam que, nesse intervalo, a rede pública avançou em ritmo superior ao registrado pela privada.
Avaliações permitem identificar dificuldades durante o ano
Uma das mudanças está na frequência com que o desempenho dos estudantes passou a ser acompanhado. Além do Saeb, realizado a cada dois anos, as escolas estaduais utilizam a Prova Paraná para identificar dificuldades durante o próprio ano letivo.
Segundo a Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), os resultados permitem reorganizar conteúdos e realizar intervenções antes que as defasagens se acumulem. O acompanhamento considera ainda indicadores como frequência, abandono e evolução da aprendizagem.
A formação continuada de professores, pedagogos e diretores aparece como outra frente. Paralelamente à capacitação pedagógica, os gestores passaram a receber acompanhamento dos Núcleos Regionais de Educação, aproximando a administração das escolas do monitoramento dos resultados.
Tecnologia avançou junto com infraestrutura e formação
Os investimentos também alcançaram conectividade, laboratórios, notebooks, robótica, climatização, reformas e equipamentos. Segundo a Secretaria, aproximadamente 30% do orçamento estadual é destinado à educação, acima do mínimo constitucional.
A proposta apresentada pelo Estado é integrar esses recursos ao processo de ensino, em vez de tratar tecnologia e infraestrutura como ações isoladas. “Mais do que comprar equipamentos, a estratégia foi integrá-los ao currículo”, afirmou o secretário estadual da Educação, Roni Miranda.
Outra característica do modelo é o acompanhamento de metas e indicadores sem retirar das escolas sua autonomia. Frequência, aprendizagem, abandono e evolução dos alunos são utilizados para identificar problemas e orientar intervenções.
Parceiro da Escola tenta liberar diretores da rotina administrativa
Entre as iniciativas mais recentes está o Parceiro da Escola, iniciado em 2023 e ampliado nos últimos dois anos. Diferentemente de políticas que já vinham sendo desenvolvidas anteriormente e tiveram mais tempo para influenciar os indicadores, o programa ainda possui uma trajetória mais curta.
O modelo transfere atividades administrativas, manutenção, limpeza e parte da operação das unidades participantes para empresas especializadas. A proposta é reduzir a carga burocrática dos diretores e ampliar o tempo dedicado ao acompanhamento de professores e estudantes.
Atualmente, 95 escolas participam da iniciativa, alcançando aproximadamente 61 mil alunos. Dados apresentados pela Seed-PR e pela APG.Gov apontam crescimento de 67% nas observações pedagógicas realizadas pelos diretores dessas unidades e aprovação do programa por 99% dos gestores participantes.
A diretora do Colégio Estadual João de Oliveira Franco, em Curitiba, Viviane Buch, relata a mudança provocada na rotina da unidade: “Com a entrada do parceiro, eu consegui me desvencilhar de atividades burocráticas e administrativas e me dedicar 100% ao pedagógico, o que se refletiu em mais aprendizado para nossos alunos”.
Frequência escolar também entra na equação
Uma das prioridades do programa é evitar interrupções das aulas quando há ausência de professores. Segundo a Seed-PR, as escolas participantes eliminaram as chamadas aulas vagas, nas quais as turmas ficam sem atendimento por falta de substituição.
O tema ganha relevância diante dos dados apresentados pelo Todos Pela Educação. Estudantes da rede pública perderiam, em média, o equivalente a 21 dias letivos por ano devido a horários descobertos, correspondentes a 11% do calendário. Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que, em algumas redes, a perda pode chegar a 20% das aulas previstas.
Em 2025, o Paraná registrou frequência de 86,6% no Ensino Médio, apontada como a maior entre as redes estaduais do país e 6 pontos percentuais acima da média nacional de 80,6%.
Liderança traz agora o desafio de manter os resultados
O desempenho de 2025 reúne políticas implantadas em momentos diferentes, o que exige cautela ao atribuir o resultado a uma iniciativa específica. Medidas de avaliação, formação, acompanhamento pedagógico e investimento acumulam uma trajetória mais longa, enquanto programas recentes, como o Parceiro da Escola, ainda precisam ser observados nos próximos ciclos para que seus efeitos possam ser dimensionados.
A liderança simultânea no Ideb e no Saeb coloca agora outro desafio para a rede paranaense: sustentar os indicadores e identificar quais estratégias produzem resultados duradouros. Os próximos ciclos de avaliação também poderão mostrar se a aproximação entre o desempenho das redes pública e privada continuará e qual será a contribuição das políticas mais recentes nesse processo.
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