Política • 15:58h • 09 de outubro de 2026
Criptomoedas por propaganda pró-Flávio Bolsonaro geram denúncia eleitoral
Campanha do candidato nega envolvimento com a iniciativa e anuncia medidas judiciais; coligação de Lula pede investigação sobre possível propaganda eleitoral irregular
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da TV Brasil | Foto: Arquivo/Âncora1
Um site que comercializa criptomoedas e oferece tokens, ativos digitais, a usuários que compartilham mensagens favoráveis ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) passou a circular na internet nesta semana. A iniciativa, divulgada também por um grupo de crianças e adolescentes de Uganda, levantou questionamentos sobre possível propaganda eleitoral irregular. Na quinta-feira (8), a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou uma denúncia à Procuradoria-Geral Eleitoral, enquanto a campanha de Flávio negou qualquer participação no projeto.
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, a página apresenta a iniciativa como um movimento que associa o apoio ao número 22, utilizado pela candidatura de Flávio Bolsonaro, à arrecadação de recursos para ajudar o grupo Hyperkids a concluir a construção de uma casa em Kampala, capital de Uganda.
O Hyperkids reúne crianças e adolescentes que publicam apresentações de dança nas redes sociais e possui um perfil com quase 13 milhões de seguidores. O grupo participa da divulgação da criptomoeda por meio de um vídeo no qual os integrantes afirmam que existe um novo token cujo objetivo seria ajudar o Brasil.
Na publicação, também são mencionados o deputado federal Nikolas Ferreira, o candidato Flávio Bolsonaro e o empresário Pablo Marçal, que passou a integrar recentemente as atividades da campanha presidencial.
Oferta de ativos digitais levanta questionamentos sobre legislação eleitoral
O artigo 57-C da Lei das Eleições proíbe a veiculação de propaganda eleitoral paga na internet, com exceção do impulsionamento de conteúdo nas condições estabelecidas pela legislação, incluindo identificação adequada e contratação por agentes autorizados.
O pesquisador Paulo Rená, do Instituto de Referência em Internet e Sociedade, avalia que a promessa de uma vantagem econômica associada à divulgação de mensagens eleitorais apresenta indícios de irregularidade.
Segundo ele, a investigação precisa esclarecer quem organiza a iniciativa e se existe conhecimento ou participação da campanha. O pesquisador também aponta que a utilização de uma estrutura localizada fora do Brasil pode levantar suspeitas de tentativa de contornar as regras brasileiras de propaganda eleitoral.
O próprio site, entretanto, afirma que a distribuição dos tokens é independente de voto, preferência eleitoral ou divulgação de propaganda. A página também declara que o projeto não possui vínculo oficial com políticos, partidos ou campanhas e que os ativos digitais não constituem doação eleitoral.
Campanha de Flávio Bolsonaro nega participação e anuncia medidas judiciais
A campanha de Flávio Bolsonaro informou que desconhece a autoria do site e negou ter contratado perfis para divulgar conteúdos ou produtos relacionados à candidatura.
A equipe do candidato também anunciou que pretende adotar medidas judiciais nas esferas eleitoral, cível e criminal para retirar a página do ar.
A manifestação da campanha contrasta com as referências ao candidato presentes no material divulgado, mas a simples utilização de seu nome não comprova participação, autorização ou conhecimento prévio da iniciativa.
Coligação de Lula pede investigação à Procuradoria-Geral Eleitoral
A coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, encaminhou nesta quinta-feira (8) uma denúncia à Procuradoria-Geral Eleitoral sobre a distribuição de ativos virtuais associada à divulgação de propaganda política.
O documento solicita a identificação dos responsáveis pela operação e a apuração de possíveis infrações eleitorais, incluindo o uso de estrutura comercial para propaganda e eventual aliciamento de eleitores, conforme as disposições do Código Eleitoral.
A apresentação da denúncia não representa comprovação de irregularidade. Caberá às autoridades competentes analisar os elementos apresentados, identificar os responsáveis pela iniciativa e avaliar se houve violação da legislação eleitoral.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos