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Ciência e Tecnologia • 08:01h • 10 de janeiro de 2026

Cápsula magnética brasileira promete revolucionar diagnóstico do sistema digestivo em consultórios

Startup apoiada pelo Pipe-Fapesp desenvolve tecnologia inédita que busca democratizar exames do sistema digestivo com procedimento simples, rápido e acessível

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Governo de SP

A proposta da tecnologia da Paix Medical não é substituir equipamentos hospitalares já estabelecidos: é oferecer uma alternativa complementar para ampliar o acesso ao diagnóstico.
A proposta da tecnologia da Paix Medical não é substituir equipamentos hospitalares já estabelecidos: é oferecer uma alternativa complementar para ampliar o acesso ao diagnóstico.

Imagine engolir um simples comprimido e, poucos minutos depois, o médico conseguir acompanhar em tempo real o funcionamento de todo o sistema digestivo, sem radiação, exames complexos ou equipamentos caros. Essa cena, que até pouco tempo parecia ficção científica, está mais próxima da realidade graças a uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros.

A inovação é da startup Paix Medical, criada a partir de pesquisas acadêmicas e apoiada pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da Fapesp. O sistema utiliza um marcador magnético atóxico, ingerido pelo paciente, cuja trajetória pelo trato gastrointestinal é monitorada por sensores posicionados externamente ao corpo. O exame pode ser realizado em um consultório comum, de forma rápida e segura.

“O paciente engole um comprimido e o médico consegue avaliar se há alguma anormalidade no funcionamento do sistema digestivo”, explica Caio Quini, físico médico e cofundador da empresa. Segundo ele, a proposta não é substituir exames tradicionais, mas oferecer uma ferramenta complementar, simples e acessível para a prática clínica.

A tecnologia nasceu quando Quini e o físico Fabiano Paixão atuavam juntos em um laboratório de pesquisa, desenvolvendo sensores e instrumentação médica para o trato gastrointestinal. A partir da experiência acadêmica, surgiu a ideia de levar a solução para o ambiente clínico. Diferentemente da medicina nuclear, que utiliza marcadores radioativos, o método da Paix Medical dispensa qualquer tipo de radiação, usando apenas campos magnéticos detectados externamente.

O sistema permite avaliar parâmetros como o esvaziamento gástrico e a motilidade intestinal. É possível identificar, por exemplo, se o marcador permanece tempo demais no estômago ou se atravessa o intestino de forma acelerada, sinais que podem indicar distúrbios funcionais. Após o exame, o marcador é eliminado naturalmente pelo organismo, sem efeitos adversos.

Essas informações são especialmente relevantes diante da alta prevalência de problemas gastrointestinais. Segundo a Organização Mundial de Gastroenterologia, cerca de 40% da população mundial sofre com distúrbios funcionais do trato digestivo em algum momento da vida. No Brasil, estudos apontam que até 35% da população apresenta esse tipo de sintoma, muitas vezes sem diagnóstico adequado por falta de acesso a exames especializados.

A principal vantagem da tecnologia está na acessibilidade. Enquanto exames como ressonância magnética, tomografia ou medicina nuclear exigem infraestrutura hospitalar e têm alto custo, o sistema magnético pode ser utilizado em consultórios de atenção primária. “É uma segunda opção diagnóstica, que pode ser feita na hora, sem preparo especial ou longas filas de espera”, destaca Quini.

O impacto social pode ser significativo, sobretudo em regiões onde o acesso a equipamentos de diagnóstico por imagem é limitado. Dados oficiais mostram que esses aparelhos estão concentrados principalmente no Sul e Sudeste do país. Nesse contexto, a tecnologia da Paix Medical surge como uma ferramenta potencial para reduzir desigualdades e ampliar o acesso ao diagnóstico.

Além disso, o custo tende a ser mais baixo do que o de exames tradicionais. Mesmo ainda em fase de protótipo, a solução já se mostra mais acessível, com expectativa de redução adicional de preço quando a produção em escala for iniciada. A tecnologia é protegida por patente, o que garante exclusividade à startup nesse formato específico.

O caminho até o produto comercial, no entanto, envolveu desafios, especialmente durante a pandemia de COVID-19. Após a prova de conceito, o desenvolvimento avançou para a construção do hardware, do software e para os testes exigidos para equipamentos médicos. Atualmente, a empresa trabalha nas validações finais em modelos animais e humanos, em parceria com centros de pesquisa no Brasil e na Europa.

A cirurgiã Beatriz Turquiai Luca Blasio, sócia da empresa, coordena estudos clínicos internacionais, reforçando a estratégia de validação global da tecnologia. Ainda não há uma data definida para o lançamento comercial, pois a equipe prioriza o cumprimento rigoroso dos padrões de qualidade e segurança.

A versatilidade do sistema abre caminho para aplicações além da gastroenterologia. Pesquisas com nanopartículas magnéticas indicam potencial para avaliar fluxo cardíaco, renal e até perfusão cerebral, o que pode transformar a tecnologia em uma plataforma diagnóstica para diferentes especialidades médicas.

Para Quini, o projeto simboliza o impacto direto da ciência brasileira na vida das pessoas. “É gratificante ver anos de pesquisa acadêmica se transformarem em uma solução prática, com potencial de melhorar o acesso ao diagnóstico. Fazer isso no Brasil mostra a força da ciência quando há investimento e apoio à inovação.”


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