Saúde • 12:47h • 10 de agosto de 2026
Controle do colesterol deve começar na infância, alerta cardiologista
Exame precoce e estilo de vida saudável protegem o coração
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
No Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, comemorado no sábado (8), o vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Renato Jorge Alves, reforça que a prevenção é fundamental para evitar complicações cardiovasculares.
Em entrevista à Agência Brasil, o cardiologista destacou que um estudo publicado em setembro de 2025 recomenda que todas as pessoas façam a dosagem do colesterol aos 10 anos de idade. “O conselho que eu dou é que todo mundo faça um exame preventivo de colesterol, junto com o de glicose”, afirmou.
Segundo Alves, também é importante manter hábitos saudáveis para evitar que outros fatores de risco se somem ao colesterol elevado e aumentem as chances de infarto. Caso o exame apresente alterações, a orientação é buscar acompanhamento médico e seguir corretamente o tratamento prescrito.
O especialista também alertou contra informações divulgadas na internet que recomendam abandonar medicamentos para o colesterol. Segundo ele, a interrupção do tratamento pode fazer os níveis da substância voltarem a subir e aumentar o risco de complicações.
Dieta carnívora
A chamada dieta carnívora, baseada exclusivamente no consumo de carne e sem alimentos de origem vegetal, não é indicada para reduzir o colesterol, segundo o cardiologista.
Alves explica que uma alimentação saudável deve ser equilibrada, com proteínas, carboidratos e gorduras em quantidades adequadas. Uma dieta baseada apenas em carne pode apresentar excesso de gordura saturada, que contribui para o aumento do colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim.
Pessoas que já apresentam colesterol elevado devem evitar o consumo excessivo de carne vermelha. Esse tipo de alimentação também pode aumentar o ácido úrico e favorecer a formação de placas de gordura nas artérias, elevando o risco cardiovascular.
Estilo de vida
A alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física estão entre as principais medidas para controlar o colesterol.
A recomendação é evitar o excesso de gordura saturada, presente principalmente em carnes vermelhas, chocolates, frios e embutidos, além da gordura trans, encontrada em alimentos ultraprocessados, como salgadinhos e biscoitos recheados.
Segundo Alves, mudanças na alimentação costumam reduzir o colesterol entre 5% e 10%, já que cerca de 70% da substância é produzida pelo próprio organismo.
Quando os níveis ultrapassam 300 miligramas por decilitro (mg/dL), há forte indicação de origem genética. Nesses casos, além das mudanças no estilo de vida, pode ser necessário tratamento medicamentoso.
A atividade física também é importante. A recomendação é acumular entre 150 e 300 minutos de exercícios por semana.
O cardiologista ressalta ainda que a qualidade do sono influencia o metabolismo. Dormir mal pode favorecer o aumento do colesterol e dos triglicérides, enquanto o estresse pode contribuir para a elevação da pressão arterial e dificultar o controle do colesterol.
Estatinas
Nos casos de hipercolesterolemia de origem genética, o tratamento pode incluir medicamentos, principalmente as estatinas, que devem ser prescritas por um médico.
Caso a estatina não seja suficiente para atingir a meta estabelecida pelo profissional de saúde, outros medicamentos podem ser associados, conforme o risco cardiovascular de cada paciente.
Alves também chama atenção para a circulação de informações falsas sobre as estatinas nas redes sociais. Segundo ele, estudos realizados há mais de três décadas apresentam evidências dos benefícios desses medicamentos na redução de infarto, acidente vascular cerebral e mortes por doenças cardiovasculares.
Hipercolesterolemia familiar
O especialista destaca ainda a hipercolesterolemia familiar, uma doença genética que pode provocar níveis muito elevados de colesterol desde a infância.
Em casos graves, crianças podem apresentar problemas cardiovasculares precocemente. O diagnóstico e o início do tratamento o mais cedo possível aumentam as chances de melhorar a sobrevida desses pacientes.
Obesidade
A obesidade está relacionada principalmente à síndrome metabólica, que pode envolver diabetes, hipertensão e aumento da gordura abdominal.
Essa gordura favorece alterações metabólicas que podem afetar órgãos como fígado, rins e pâncreas. Na hipercolesterolemia familiar, porém, a obesidade geralmente não faz parte do quadro inicial e pode surgir posteriormente, associada a fatores relacionados ao estilo de vida.
Fatores de risco
Infarto e acidente vascular cerebral (AVC) estão entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. Entre os principais fatores de risco estão colesterol elevado, diabetes, tabagismo e hipertensão.
A obesidade também tem ganhado importância diante do aumento de sua ocorrência na população. Segundo Alves, a condição provoca um estado inflamatório crônico que pode favorecer a instabilidade das placas de gordura nas artérias e elevar o risco de infarto.
Outras doenças inflamatórias crônicas, como lúpus, HIV, artrite reumatoide, fibromialgia e doença inflamatória intestinal, também podem contribuir para alterações nas artérias e aumentar o risco cardiovascular.
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