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Gastronomia & Turismo • 12:04h • 17 de maio de 2026

Consumidores buscam experiência completa para assistir aos jogos da Copa fora de casa

Movimento em dias de jogos pode elevar faturamento em até 30%, enquanto consumidores passam a buscar experiência, conforto e melhor custo-benefício

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Divulgação

Bares lotados não garantem lucro sem planejamento durante a Copa do Mundo
Bares lotados não garantem lucro sem planejamento durante a Copa do Mundo

A proximidade da Copa do Mundo deve aquecer novamente o setor de bares e restaurantes no Brasil, especialmente em dias de jogos da seleção brasileira. Segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o segmento de alimentação fora do lar registrou aumento médio de até 30% no faturamento durante partidas do Brasil na Copa de 2022. Em jogos decisivos, alguns estabelecimentos chegaram a dobrar a receita.

O cenário reforça uma disputa crescente entre bares, pubs e restaurantes pela preferência do público, que cada vez mais escolhe assistir aos jogos fora de casa em busca de experiência coletiva, ambiente confortável e opções de consumo diferenciadas.

Levantamento da NielsenIQ aponta que mais de 60% dos brasileiros preferem acompanhar grandes eventos esportivos em grupo, comportamento que aumenta o tempo de permanência nos estabelecimentos e impulsiona principalmente o consumo de bebidas e porções compartilhadas.

Para Marcelo Marani, professor, empreendedor do foodservice e fundador da Donos de Restaurantes, o período evidencia diferenças importantes na preparação dos negócios.

Experiência passou a pesar mais na escolha do consumidor

Segundo especialistas do setor, assistir aos jogos deixou de ser apenas acompanhar a partida e passou a envolver experiência, conforto e qualidade no atendimento. “O cliente não vai só assistir ao jogo, ele quer viver aquele momento. E ele escolhe onde vai com base nisso. Se o lugar não entrega experiência, ele simplesmente não volta ou nem entra”, destaca Marcelo Marani.

Entre os fatores que mais influenciam a escolha estão qualidade da transmissão, disposição dos telões, som adequado, rapidez no atendimento, organização do ambiente e perfil do público frequentador.

Casas que investem em estrutura operacional e planejamento tendem a concentrar maior movimento durante os jogos, enquanto estabelecimentos sem preparo acabam perdendo espaço mesmo em datas consideradas fortes para o setor.

Concorrência aumenta opções e promoções

O aumento da concorrência também amplia a quantidade de ofertas para os consumidores. Combos promocionais, descontos em bebidas, cardápios especiais e experiências temáticas passaram a ser estratégias comuns para atrair público durante os jogos.

Segundo Marani, no entanto, nem sempre promoções representam vantagem real para o cliente. “Combos e ofertas podem valer a pena, desde que o consumidor avalie quantidade, qualidade e preço final. Em muitos casos, o barato pode sair mais caro”, afirma.

Especialistas recomendam que os clientes observem estrutura do ambiente, conforto, capacidade de atendimento e perfil do estabelecimento antes de escolher onde assistir às partidas. Ambientes excessivamente lotados, por exemplo, podem comprometer tanto a experiência quanto a qualidade do serviço.

Operação exige planejamento para evitar prejuízos

Do lado dos empresários, o aumento de movimento exige preparação cuidadosa para que o crescimento no número de clientes realmente se transforme em lucro. Segundo Marani, o planejamento operacional começa pela projeção da demanda com base no calendário dos jogos e no histórico do estabelecimento.

A partir disso, entram ajustes de estoque, definição de cardápio, organização das equipes e revisão da precificação. Cardápios mais enxutos durante os jogos costumam aumentar a velocidade da operação e reduzir gargalos na cozinha, enquanto escalas adequadas ajudam a evitar atrasos e sobrecarga dos funcionários.

Outro ponto de atenção está na construção das promoções. “Vender muito sem margem é trabalhar mais para ganhar menos. Esse é um erro clássico em datas como a Copa”, alerta. Dados do setor mostram que custos com insumos e mão de obra podem ultrapassar 60% das despesas de um restaurante, exigindo controle rigoroso em períodos de alta demanda.

Falta de estoque, demora nos pedidos, aumento descontrolado de custos e falhas operacionais aparecem entre os principais problemas enfrentados por empresas despreparadas. Copa funciona como teste de gestão para os negócios Para especialistas, períodos de grande movimentação acabam funcionando como uma espécie de teste de maturidade operacional para bares e restaurantes.

“Datas de alto movimento mostram quem tem gestão e quem não tem. Quem está preparado transforma isso em lucro e fidelização. Quem não está, só aumenta o problema”, afirma Marani. Segundo ele, os aprendizados obtidos durante grandes eventos podem gerar impactos positivos mesmo após o fim da competição. “O empresário que usa esse momento para organizar processos, treinar equipe e entender melhor o negócio sai mais forte depois. Não é sobre um mês, é sobre consistência”, conclui.

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